O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), pode não ser o único a ter que dar explicações à CPI do Cachoeira após o recesso parlamentar de julho. Requerimentos para a convocação de outros três chefes de Executivos estaduais aguardam votação da comissão parlamentar de inquérito mista que investiga a relação do contraventor goiano com agentes públicos e privados.
Um dos que podem ser chamados é Siqueira Campos (PSDB), governador do Tocantins, visto que três parlamentares já apresentaram pedidos para ouvi-lo. O deputado Rubens Bueno (PPS-PR), por exemplo, quer que ele explique recente matéria publicada pelo jornal Folha de S. Paulo mostrando que quase metade dos recursos financeiros recebidos pelo comitê do PSDB daquele estado, na eleição de 2010, veio de empresários ligados a Cachoeira. Seriam R$ 4, 3 milhões de um total declarado de R$ 10,5 milhões à Justiça Eleitoral. De acordo com o requerimento de Rubens Bueno a ser analisado pela CPMI, o maior doador para o PSDB no Tocantins foi o empresário Rossine Aires Guimarães, com R$ 3 milhões, cuja convocação já foi aprovada pela comissão parlamentar de inquérito. “Dono de uma construtora, ele é, conforme a PF, o principal parceiro de negócios de Cachoeira, ao lado de Cláudio Abreu, diretor regional da empreiteira Delta”, informa o deputado. O deputado Filipe Pereira (PSC-RJ), por sua vez, tem intenção de chamar o governador do Mato Grosso, Silval Barbosa (PMDB). Segundo o parlamentar, escutas da Polícia Federal demonstraram que Carlinhos Cachoeira tinha interesse em assumir o controle da loteria estadual. Além disso, informa o requerimento, a Delta mantém contrato de locação de viaturas para as polícias Civil e Militar. Felipe Pereira também é autor de outro requerimento pedindo a oitiva do governador do Mato Grosso do Sul, André Puccinelli. A justificativa do parlamentar é de que a Delta tem “milhões em negócios em obras estaduais, federais e licitações de prestação de serviços” naquela unidade da federação. Ainda de acordo com o deputado, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou pelo menos três obras em rodovias estaduais com falhas que poderão ser questionadas por conta da qualidade dos serviços prestados. Perillo Apesar de já ter sido ouvido pela CPI mista em 12 de junho, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) pode ter de voltar à comissão depois que o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) apresentou novo requerimento para convocá-lo. |
sábado, 21 de julho de 2012
CPI do Cachoeira decide em agosto se convoca Puccinelli e outros dois governadores
Números desmentem queda de arrecadação alegada por Puccinelli para cortar gastos
Levantamento do jornal Midiamax aponta que a tão alarmada queda na arrecadação divulgada pelo governador André Puccinelli (PMDB) não confere. Nesta semana, ele chegou a publicar decreto exigindo corte de 20% dos gastos por conta da suposta crise. O fato é que as principais fontes de receita do Estado aumentaram no primeiro semestre do ano em comparação ao mesmo período do ano passado.
Maior fonte de verba do Executivo, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviço) teve crescimento de 8,3%. Nos seis primeiros meses de 2011, entraram nos cofres estaduais R$ 2,4 bilhões, sendo que no mesmo período deste ano o montante ultrapassou a R$ 2,6 bilhões, conforme aponta o site transparência do próprio Governo do Estado.
Também registrou crescimento o repasse do FPE (Fundo de Participação dos Estados) por parte da União. Em 2011, foram transferidos a Mato Grosso do Sul, no primeiro semestre do ano, R$ 334,19 milhões. No mesmo período deste ano, o valor subiu para R$ 359,42 milhões, um acréscimo de 7%. Os dados são do site Transparência do Tesouro Nacional.
Puccinelli, no entanto, justificou queda na arrecadação do FPE para determinar o corte de 20% dos gastos nas secretarias. “Considerando o decrescente repasse das transferências constitucionais do Fundo de Participação dos Estados (FPE)”, alegou no decreto, publicado na quinta-feira (19).
No mesmo documento, o governador se queixou que “o bombeamento do gás boliviano está sendo feito no limite mínimo, refletindo, diretamente, na diminuição da arrecadação do ICMS”.
A informação, entretanto, vai contra balanço do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que aponta aumento de 42,2% na arrecadação do serviço nos seis primeiro meses de 2012, em comparação ao mesmo período do ano passado. Segundo o levantamento, entraram nos cofres do Estado, no primeiro semestre de 2011, US$ 1.129.505.188 e US$ 1.606.396.990, em 2012.
Ainda no decreto, Puccinelli considerou “a redução, a zero, da alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente na venda da gasolina e do óleo diesel”. A arrecadação com o serviço realmente reduziu em comparação com o ano passado, mas a verba nem chega a representar 1% da receita do Estado.
Tanto em 2011 quanto em 2012, a Cide gerou renda a Mato Grosso do Sul apenas nos meses de janeiro e abril. No ano passado, o montante atingiu R$ 17,2 milhões e até junho de 2012, R$ 15 milhões, quantia bem inferior a arrecadação das principais fontes de receita do Estado como ICMS, FPM e gás boliviano.
No mesmo período, subiu em 13,4% a arrecadação com o IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores). De janeiro a junho do ano passado, o Executivo arrecadou R$ 186,9 milhões e, em 2012, mais de R$ 216 milhões.
Mais choradeira
Nesta sexta-feira (20), após ministrar palestra no Seminário Logística, Infraestrutura e Agronegócio, Puccinelli voltou a se queixar da queda na arrecadação e até ameaçou reduzir o duodécimo dos Poderes se não houver redução dos gastos.
| Divulgação |
| Segundo Puccinelli, é preciso economizar porque a arrecadação está caindo |
“O bombeamento de gás boliviano que era de R$ 19 milhões acabou pro Estado, a FPE diminui pro Estado, a Cide, que é federal, também acabou. Quem deve acudir o Estado é a União, ela que é a mamãezona”, comentou. Ele ainda avisou que, por enquanto, novos projetos não sairão do papel.
Pesquisa Datafolha mostra empate técnico entre Serra Russomano na corrida à Prefeitura de SP
José Serra (PSDB) e Celso Russomanno (PRB) estão tecnicamente empatados nas intenções de votos para a prefeitura da cidade de São Paulo, segundo pesquisa do Instituto Datafolha encomendada pela TV Globo e pelo jornal Folha de S. Paulo. Em um levantamento feito com 1075 eleitores, o tucano aparece com 30% de simpatizantes, contra 26% do outro candidato. A margem de erro é de 3 pontos.
Na sequência, aparecem Fernando Haddad (PT) e Soninha Francine (PDT), ambos com 7%; Gabriel Chalita (PMDB), com 6%; e Paulinho da Força (PDT), com 5%. A pesquisa foi primeira do instituto após a oficialização das candidaturas e o início das campanhas de rua. Também foi a primeira vez que o nome de Netinho de Paula (PC do B) não constou nos cartões de resposta estimulada. Na pesquisa anterior, realizada entre 25 e 26 de junho, Serra tinha 31% das intenções de voto, e Russomanno, 24%. Haddad e Soninha apareciam com 6%. Foram ouvidos 1.075 eleitores nos dias 19 e 20 de julho. a pesquisa foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com o número SP-00110/2012
Delcídio não explica relação com Puccinelli e atira contra Zeca no twitter
Acusado de se reunir secretamente com o governador André Puccinelli (PMDB) para tramar o enfraquecimento do PT nas eleições municipais desde ano, o senador Delcídio do Amaral (PT), até agora, não se manifestou sobre a relação suspeita com o principal adversário dos petistas em Mato Grosso do Sul. Por outro lado, atacou o ex-governador Zeca do PT via twitter.
“Isolado, desagregador, passional... o Zeca tem sido um excelente instrumento dos adversários... presta um desserviço ao PT”, escreveu Delcídio, nesta quarta-feira (4), em sua página pessoal do twitter. Ele ainda sugeriu que quem trai o partido é o ex-governador. “O velho Zeca continua o mesmo! Esqueceu de 2006, de Aquidauana, Dourados, Bonito...”, comentou.
A afirmação refere-se, primeiro, a sucessão estadual de 2006, quando Delcídio concorreu ao governo e saiu derrotado por Puccinelli. Passada a eleição, ele acusou Zeca de não ter se empenhado em sua campanha. A segunda colocação faz menção às eleições municipais de 2008. Em Aquidauana, Bonito e Dourados o grupo de Zeca pediu votos a candidatos não apoiados oficialmente pelo PT por ver influência do governo na decisão sobre o destino do partido nas respectivas cidades.
Ainda via twuitter, Delcídio disse que pagou contas do ex-governador. “Esqueceu até de suas contas que paguei!”, escreveu. Indagado sobre qual seriam essas contas, Zeca imagina que o senador se referiu a dívida de campanha das eleições de 2010, assumida pela direção nacional do PT.
“Ora, então, o senador não estava conosco na campanha?”, questionou o ex-governador. “Desse jeito, ele acaba confirmando que não se sentiu integrante nas eleições de 2010”, emendou. No pleito, Delcídio foi visto em carreata em favor do então candidato a deputado federal Edson Giroto (PMDB) e foi acusado de fazer “dobradinha” com o candidato governista a senador, Waldemir Moka (PMDB).
Para Zeca, Delcídio precisa é provar que realmente não trai o PT. “Pela gravidade da denúncia, ele precisa dar explicações urgentemente”, cobrou. A direção estadual do partido, no entanto, por meio de nota, disse que não investigará a suspeita de traição do senador e do deputado federal Antônio Carlos Biffi e ainda garantiu que a legenda está unida. Hoje, o comando do PT está nas mãos do senador.
Presidente do PT garante ministros na campanha, mas não confirma presença de Lula
Delcídio e Zeca mantêm distância mas prometem superar divergências por Vander
Na presença do presidente nacional do partido, Rui Falcão, o senador Delcídio do Amaral e o ex-governador Zeca do PT não posaram de bons amigos, mas indicaram deixar de lado as divergências para ajudar o deputado federal Vander Loubet (PT) a acabar com a hegemonia do PMDB no comando da Prefeitura de Campo Grande.
As duas principais estrelas petistas do Estado se encontraram na manhã deste sábado (21) em ato do PT na Capital. Nem Zeca, nem Delcídio buscaram uma aproximação, no entanto, garantiram que a prioridade é o crescimento da agremiação.
“O PT é um partido democrático e todos nós vamos andar juntos, independentemente de eventuais divergências que existam”, disse o senador, confessando os atritos. “Minha preocupação agora é o PT, fora isso nada a declarar”, completou o ex-governador. "Não faço política com ranço, com o fígado, não faço política olhando no retrovisor, eu olho para frente", reforçou o senador.
Recentemente, em resposta ao apoio de Delcídio à reeleição da prefeita Márcia Moura (PMDB) em Três Lagoas, o presidente regional do PSD, Antonio João Hugo Rodrigues, declarou que o senador teria se reunido secretamente com o governador André Puccinelli (PMDB) para tramar o enfraquecimento do grupo de Zeca nas eleições deste ano.
A acusação caiu como uma bomba entre os petistas e voltou a acirrar os ânimos entre as principais lideranças que, depois de suposto entendimento, voltaram a trocar duras farpas. “Essa história é uma história ultrapassada, nós estamos bem definidos em relação às candidaturas”, afirmou Delcídio para garantir que o foco, agora, são as eleições municipais.
Ciente de que divido o PT perde força, Vander acredita que o bom senso irá prevalecer na corrida por votos. “A presença, nesta mesa, de todas as lideranças que tem voto em Campo Grande nos dá a segurança que nós vamos fazer uma campanha unificada e vitoriosa”, comentou.
Rui Falcão também evitou polemizar e apostou na unidade dos petistas pelos menos nestas eleições. “Com a candidatura lançada, eu sinto um clima de unidade, com mobilização e vi muita expectativa de vitória. Isso é o que eu pude sentir nas primeiras conversas aqui”, declarou.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
ARISTOTELES
Aristóteles (em grego antigo: Ἀριστοτέλης, transl. Aristotélēs; Estagira, 384 a.C. — Atenas, 322 a.C.) foi um filósofo grego, aluno de Platão e professor de Alexandre, o Grande. Seus escritos abrangem diversos assuntos, como a física, a metafísica, as leis da poesia e do drama, a música, a lógica, a retórica, o governo, a ética, a biologia e a zoologia. Juntamente com Platão e Sócrates (professor de Platão), Aristóteles é visto como um dos fundadores da filosofia ocidental. Em 343 a.C. torna-se tutor de Alexandre da Macedónia, na época com 13 anos de idade, que será o mais célebre conquistador do mundo antigo. Em 335 a.C. Alexandre assume o trono e Aristóteles volta para Atenas, onde funda o Liceu (lyceum) em 335 a.C..
Repercussão
Seu ponto de vista sobre as ciências físicas influenciou profundamente o cenário intelectual medieval, e esteve presente até o Renascimento - embora eventualmente tenha vindo a ser substituído pela física newtoniana. Nas ciências biológicas, a precisão de algumas de suas observações foi confirmada apenas no século XIX. Suas obras contêm o primeiro estudo formal conhecido da lógica, que foi incorporado posteriormente à lógica formal. Na metafísica, o aristotelismo teve uma influência profunda no pensamento filosófico e teológico nas tradições judaico-islâmicas durante a Idade Média, e continua a influenciar a teologia cristã, especialmente a ortodoxa oriental, e a tradição escolástica da Igreja Católica. Seu estudo da ética, embora sempre tenha continuado a ser influente, conquistou um interesse renovado com o advento moderno da ética da virtude. Todos os aspectos da filosofia de Aristóteles continuam a ser objeto de um ativo estudo acadêmico nos dias de hoje. Embora tenha escrito diversos tratados e diálogos num estilo elegante (Cícero descreveu seu estilo literário como "um rio de ouro"),[1] acredita-se que a maior parte de sua obra tenha sido perdida, e apenas um terço de seus trabalhos tenham sobrevivido.[2]
Apesar do alcance abrangente que as obras de Aristóteles gozaram tradicionalmente, os acadêmicos modernos questionam a autenticidade de uma parte considerável do corpus aristotélico.[3]
Foi chamado por Augusto Comte de "o príncipe eterno dos verdadeiros filósofos",[4] por Platão de "O Leitor" (pela avidez com que lia e por se ter cercado dos livros dos poetas, filósofos e homens da ciência contemporâneos e anteriores) e, pelos pensadores árabes, de o "preceptor da inteligência humana". Também era conhecido como O Estagirita, por sua terra natal, Estagira.
Vida
Aristóteles era natural de Estagira, na Trácia,[5] sendo filho de Nicômaco, amigo e médico pessoal do rei macedônio Amintas III, pai de Filipe II.[6] É provável que o interesse de Aristóteles por biologia e fisiologia decorra da atividade médica exercida pelo pai e pelo tio, e que remontava há dez gerações.
Segundo a compilação bizantina Suda, Nicômaco era descendente de Nicômaco, filho de Macaão, filho de Esculápio.[7]
Com cerca de 16 ou 17 anos partiu para Atenas, maior centro intelectual e artístico da Grécia. Como muitos outros jovens da época, foi para lá prosseguir os estudos. Duas grandes instituições disputavam a preferência dos jovens: a escola de Isócrates, que visava preparar o aluno para a vida política, e Platão e sua Academia, com preferência à ciência (episteme) como fundamento da realidade. Apesar do aviso de que, quem não conhecesse Geometria ali não deveria entrar, Aristóteles decidiu-se pela academia platônica e nela permaneceu vinte anos, até a morte de Platão,[8], no primeiro ano da 108a olimpíada (348 a.C.).[9]
Espeusipo, sobrinho de Platão [10], foi por ele nomeado escolarca da academia,[9] e assim Aristóteles partiu para Assos com alguns ex-alunos. Dois fatos parecem se relacionar com esse episódio: Espeusipo representava uma tendência que desagradava Aristóteles, isto é, a matematização da filosofia; e Aristóteles ter-se sentido preterido (ou rejeitado), já que se julgava o mais apto para assumir a direção da Academia, no entanto não assumira devido principalmente ao fato de que não era grego, mas imigrante da Macedônia.
Em Assos, Aristóteles fundou um pequeno círculo filosófico com a ajuda de Hérmias, tirano de Atarneu e eventual ouvinte de Platão. Lá ficou por três anos e casou-se com Pítias, sobrinha de Hérmias. Assassinado Hérmias, Aristóteles partiu para Mitilene, na ilha de Lesbos, onde realizou a maior parte das famosas investigações biológicas. No ano de 343 a.C. chamado por Filipe II, tornou-se preceptor de Alexandre, função que exerceu até 336 a.C., quando Alexandre subiu ao trono.
Neste mesmo ano, de volta a Atenas, fundou o Lykeion, origem da palavra Liceu (lyceum) cujos alunos ficaram conhecidos como peripatéticos (os que passeiam), nome decorrente do hábito de Aristóteles de ensinar ao ar livre, muitas vezes sob as árvores que cercavam o Liceu. Ao contrário da Academia de Platão, o Liceu privilegiava as ciências naturais. Alexandre mesmo enviava ao mestre exemplares da fauna e flora das regiões conquistadas. O trabalho cobria os campos do conhecimento clássico de então, filosofia, metafísica, lógica, ética, política, retórica, poesia, biologia, zoologia, medicina e estabeleceu as bases de tais disciplinas quanto a metodologia científica.
Aristóteles dirigiu a escola até 324 a.C., pouco depois da morte de Alexandre. Os sentimentos antimacedônicos dos atenienses voltaram-se contra ele que, sentindo-se ameaçado, deixou Atenas afirmando não permitir que a cidade cometesse um segundo crime contra a filosofia (alusão ao julgamento de Sócrates). Deixou a escola aos cuidados do principal discípulo, Teofrasto (372 a.C. - 288 a.C.) e retirou-se para Cálcis, na Eubéia. Nessa época, Aristóteles já era casado com Hérpiles, uma vez que Pítias havia falecido pouco tempo depois do assassinato de Hérmias, seu protetor. Com Hérpiles, teve uma filha e o filho Nicômaco. Morreu a 322 a.C.
Em certo sentido, Aristóteles via o próprio pensamento como o ponto culminante do processo desencadeado por Tales de Mileto. A filosofia pretendia não apenas rever como também corrigir as falhas e imperfeições das filosofias anteriores. Ao mesmo tempo, trilhou novos caminhos para fundamentar as críticas, revisões e novas proposições.
Aluno de Platão, Aristóteles discorda de uma parte fundamental da sua filosofia. Platão concebia dois mundos existentes: aquele que é apreendido por nossos sentidos, o mundo concreto -, em constante mutação; e outro mundo - abstrato -, o das ideias, acessível somente pelo intelecto, imutável e independente do tempo e do espaço material. Aristóteles, ao contrário, defende a existência de um único mundo: este em que vivemos. O que está além de nossa experiência sensível não pode ser nada para nós.
Lógica
Para Aristóteles, a Lógica é um instrumento, uma introdução para as ciências e para o conhecimento e baseia-se no silogismo, o raciocínio formalmente estruturado que supõe certas premissas colocadas previamente para que haja uma conclusão necessária. O silogismo é dedutivo, parte do universal para o particular; a indução, ao contrário, parte do particular para o universal. Dessa forma, se forem verdadeiras as premissas, a conclusão, logicamente, também será.
Física
A concepção aristotélica de Física parte do movimento, elucidando-o nas análises dos conceitos de crescimento, alteração e mudança. A teoria do ato e potência, com implicações metafísicas, é o fundamento do sistema. Ato e potência relacionam-se com o movimento enquanto que a matéria se forma com a ausência de movimento.
Para Aristóteles, os objetos caíam para se localizarem corretamente de acordo com a natureza: o éter, acima de tudo; logo abaixo, o fogo; depois o ar; depois a água e, por último, a terra.
Psicologia
A Psicologia é a teoria da alma e baseia-se nos conceitos de alma (psykhé) e intelecto (noûs). A alma é a forma primordial de um corpo que possui vida em potência, sendo a essência do corpo. O intelecto, por sua vez, não se restringe a uma relação específica com o corpo; sua atividade vai além dele.
O organismo, uma vez desenvolvido, recebe a forma que lhe possibilitará perfeição maior, fazendo passar suas potências a ato. Essa forma é alma. Ela faz com que vegetem, cresçam e se reproduzam os animais e plantas e também faz com que os animais sintam.
No homem, a alma, além de suas características vegetativas e sensitivas, há também a característica da inteligência, que é capaz de apreender as essências de modo independente da condição orgânica.
Ele acreditava que a mulher era um ser incompleto, um meio homem. Seria passiva, ao passo que o homem seria ativo.
Biologia
A biologia é a ciência da vida e situa-se no âmbito da física (como a própria psicologia), pois está centrada na relação entre ato e potência. Aristóteles foi o verdadeiro fundador da zoologia - levando-se em conta o sentido etimológico da palavra. A ele se deve a primeira divisão do reino animal.
Aristóteles é o pai da teoria da abiogênese, que durou até séculos mais recentes, segundo a qual um ser nascia de um germe da vida, sem que um outro ser precisasse gerá-lo (exceto os humanos): um exemplo é o das aves que vivem à beira das lagoas, cujo germe da vida estaria nas plantas próximas.
Ainda no campo da biologia, Aristóteles foi quem iniciou os estudos científicos documentados sobre peixes sendo o precursor da ictiologia (a ciência que estuda os peixes), catalogou mais de cem espécies de peixes marinhos e descreveu seu comportamento. É considerado como elemento histórico da evolução da piscicultura e da aquariofilia.[11]
Metafísica
O termo "Metafísica" não é aristotélico; o que hoje chamamos de metafísica era chamado por Aristóteles de filosofia primeira. Esta é a ciência que se ocupa com realidades que estão além das realidades físicas que possuem fácil e imediata apreensão sensorial.
O conceito de metafísica em Aristóteles é extremamente complexo e não há uma definição única. O filósofo deu quatro definições para metafísica:
a ciência que indaga e reflete acerca dos princípios e primeiras causas;
a ciência que indaga o ente enquanto aquilo que o constitui, enquanto o ser do ente;
a ciência que investiga as substâncias;
a ciência que investiga a substância supra-sensível, ou seja, que excede o que é percebido através da materialidade e da experiência sensível.
Os conceitos de ato e potência, matéria e forma, substância e acidente possuem especial importância na metafísica aristotélica.
As quatro causas
Para Aristóteles, existem quatro causas implicadas na existência de algo:
A causa material (aquilo do qual é feita alguma coisa, a argila, por exemplo);
A causa formal (a coisa em si, como um vaso de argila);
A causa eficiente (aquilo que dá origem ao processo em que a coisa surge, como as mãos de quem trabalha a argila);
A causa final (aquilo para o qual a coisa é feita, cite-se portar arranjos para enfeitar um ambiente).
Essência e acidente
Aristóteles distingue, também, a essência e os acidentes em alguma coisa.
A essência é algo sem o qual aquilo não pode ser o que é; é o que dá identidade a um ser, e sem a qual aquele ser não pode ser reconhecido como sendo ele mesmo (por exemplo: um livro sem nenhum tipo de história ou informações estruturadas, no caso de um livro técnico, não pode ser considerado um livro, pois o fato de ter uma história ou informações é o que permite-o ser identificado como "livro" e não como "caderno" ou meramente "maço de papel").
O acidente é algo que pode ser inerente ou não ao ser, mas que, mesmo assim, não descaracteriza-se o ser por sua falta (o tamanho de uma flor, por exemplo, é um acidente, pois uma flor grande não deixará de ser flor por ser grande; a sua cor, também, pois, por mais que uma flor tenha que ter, necessariamente, alguma cor, ainda assim tal característica não faz de uma flor o que ela é).
No sistema aristotélico, a ética é a ciência das condutas, menos exata na medida em que se ocupa com assuntos passíveis de modificação. Ela não se ocupa com aquilo que no homem é essencial e imutável, mas daquilo que pode ser obtido por ações repetidas, disposições adquiridas ou de hábitos que constituem as virtudes e os vícios. Seu objetivo último é garantir ou possibilitar a conquista da felicidade.
Partindo das disposições naturais do homem (disposições particulares a cada um e que constituem o caráter), a moral mostra como essas disposições devem ser modificadas para que se ajustem à razão. Estas disposições costumam estar afastadas do meio-termo, estado que Aristóteles considera o ideal. Assim, algumas pessoas são muito tímidas, outras muito audaciosas. A virtude é o meio-termo e o vício se dá ou na falta ou no excesso. Por exemplo: coragem é uma virtude e seus contrários são a temeridade (excesso de coragem) e a covardia (ausência de coragem).
As virtudes se realizam sempre no âmbito humano e não têm mais sentido quando as relações humanas desaparecem, como, por exemplo, em relação a Deus. Totalmente diferente é a virtude especulativa ou intelectual, que pertence apenas a alguns (geralmente os filósofos) que, fora da vida moral, buscam o conhecimento pelo conhecimento. É assim que a contemplação aproxima o homem de Deus.
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