A Polícia Militar de Rio Negro prendeu por volta das 6h30 deste domingo Shelton Eugênio Vargas. Ele é suspeito de matar Waldiney Furquim Silva, de 30 anos e comer partes do cérebro da vítima.Segundo informações do soldado Ezequiel José Ferreira, do terceiro pelotão da PM de Rio Negro, Silva foi morto com golpes de pedra na cabeça. De acordo com o relato da PM. Após praticar o crime, Vargas teria ingerido pedaços do cérebro e tomado o sangue da vítima. Conforme a versão da PM por volta de 5h30, os policias receberam um chamado de moradores do bairro Morro da TV, informando que um homem com a roupa ensangüentada tentava invadir algumas residências. A PM foi até o local e prendeu o suspeito. Já no camburão ele teria confessado aos policias ter matado um homem, tomado o sangue e comido partes do cérebro da vítima. A guarnição formada pelo cabo Luiz Roberto Fernandez Cabral e o soldado Luiz Flávio dos Santos foi até o local apontado pelo suspeito. Na residência localizada na Avenida da Liberdade encontraram o corpo de Vargas com a cabeça dilacerada. O suspeito não revelou o motivo do crime. (Com colaboração de Reginaldo Coelho)
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domingo, 18 de abril de 2010
Semana agitada dá o tom do embate eleitoral entre André e Zeca
Quem fez mais pelo Estado, André Puccinelli (PMDB) ou Zeca do PT? E com o dinheiro de quem? Do Estado ou do governo federal?. Questionamentos como estes que devem permear a campanha eleitoral já buscam respostas entre deputados estaduais na Assembleia Legislativa. Na semana que passou, os parlamentares da base aliada e da oposição protagonizaram o primeiro grande confronto político do ano na Casa de Leis. Oratórias inflamadas não pouparam nem o presidente Lula que foi chamado de “marqueteiro e estilista”.
No plenário da Assembleia, os petistas acusaram o governo de não divulgar os investimentos federais em Corumbá. Os ‘andrezistas’ disseram que é mentira da oposição. Divulgam sim e na medida justa. O governo que desencadeou a polêmica com a distribuição de um informe publicitário prometeu apresentar uma lista mais específica sobre as obras executadas no município.
Fora da Parlamento, também não faltou emoção aos observadores da política local. Até no interior o chão tremeu, ou melhor, quase. Faltou o olho no olho entre o governador e ex. Os dois estiveram na mesma cidade (Costa Rica), mas souberam desviar um do outro. Contudo, mandaram recados pela imprensa. “Ele é um autoritário que contrata ex-prefeitos para fazer não sei o que”, dispara Zeca. “Ele está com dor de cotovelo porque estou na frente nas pesquisas”, devolveu André.
Também nesta semana, André festejou a confirmação do apoio do PR, partido do Londres Machado, a sua reeleição. Não foi nenhuma novidade. No ano passado, o governador conseguiu infiltrar Edson Giroto, homem de confiança, no partido o que praticamente assegurou a presença do partido em seu arco de alianças.
Já o PTB passou a semana lutando para conter a rebeldia interna desencadeada pela decisão da Executiva (por nove votos a um) de apoiar André. Um grupo de insatisfeitos busca assinaturas para levar a proposta de Zeca do PT à convenção do partido em junho. Manobra que segundo a cúpula da sigla “não vai dar em nada”.
Principal parceiro de Zeca, o PDT mostrou que está com o petista, mas não inteiro. O deputado estadual Antônio Braga anunciou que faz parte de um grupo de dissidentes do PDT que nutre paixão por André e vai com ele aconteça o que acontecer. Ainda que a legenda decida em convenção se aliar a Zeca, os rebeldes do PDT pedirão votos para André. “É um risco que correremos”, conforma-se Braga.
Quem também quer ficar no ninho de André é o PSDB. Os tucanos fazem planos e mais planos. Nesta semana, anunciaram que pretendem trazer José Serra, presidenciável do partido, ao Estado para que faça ele mesmo o convite formal a André pela aliança. O sonho do PSDB é realizar uma grande festa para recepcionar Serra e amarrar a aliança com André.
O sonho já podia estar mais perto da realidade não fosse a indecisão de André. Ele (segundo dizem) prefere Serra, mas não admite que tenha desistido de Dilma Rousseff, candidata à presidência pelo PT. O peemedebista disse em Costa Rica, pra quem quisesse ouvir que o prazo (dia 15 de abril) acabou, mas não pôs fim a possibilidade de entendimento com Lula. Vai a Brasília dialogar com ele pessoalmente. Quando? Em breve.
Lula queria que André apoiasse Dilma. Mas, com Zeca no caminho o governador não aceita. “Cristão e monogâmico” rejeita bigamia. Dilma teria que se contentar com um palanque só o dele ou de Zeca. Os dois, não. O petista por sua vez debocha do adversário: “não sou mercadoria, não desistirei, sou candidato”. O deputado Paulo Duarte (PT) também provoca André. “Ele é noivo abandonado no altar. Ficou esperando a Dilma e ela não veio”.
Zeca pode não ter PR, o PTB e o PDT inteiro, mas está prestes a ganhar um aliado inesperado o que de quebra causará irritação ao adversário. Bem no começo da semana, o senador Valter Pereira, militante histórico do PMDB, reiterou que se aceitar o convite para se filiar ao PSB será o que sempre foi em toda a sua trajetória política “escravo do partidarismo”. Logo, se o PSB estiver com Zeca Valter também estará. Entretanto, a cúpula da legenda informa que ainda não se decidiu.
Enquanto costura o leque de alianças, Zeca não perde os adversários de vista. Ontem, em Três Lagoas, atacou seu primo, o deputado federal Waldemir Moka que concorrerá ao Senado pelo PMDB. “Igual a cavalo pangaré”, comparou. Moka preferiu não comentar a provocação.
No plenário da Assembleia, os petistas acusaram o governo de não divulgar os investimentos federais em Corumbá. Os ‘andrezistas’ disseram que é mentira da oposição. Divulgam sim e na medida justa. O governo que desencadeou a polêmica com a distribuição de um informe publicitário prometeu apresentar uma lista mais específica sobre as obras executadas no município.
Fora da Parlamento, também não faltou emoção aos observadores da política local. Até no interior o chão tremeu, ou melhor, quase. Faltou o olho no olho entre o governador e ex. Os dois estiveram na mesma cidade (Costa Rica), mas souberam desviar um do outro. Contudo, mandaram recados pela imprensa. “Ele é um autoritário que contrata ex-prefeitos para fazer não sei o que”, dispara Zeca. “Ele está com dor de cotovelo porque estou na frente nas pesquisas”, devolveu André.
Também nesta semana, André festejou a confirmação do apoio do PR, partido do Londres Machado, a sua reeleição. Não foi nenhuma novidade. No ano passado, o governador conseguiu infiltrar Edson Giroto, homem de confiança, no partido o que praticamente assegurou a presença do partido em seu arco de alianças.
Já o PTB passou a semana lutando para conter a rebeldia interna desencadeada pela decisão da Executiva (por nove votos a um) de apoiar André. Um grupo de insatisfeitos busca assinaturas para levar a proposta de Zeca do PT à convenção do partido em junho. Manobra que segundo a cúpula da sigla “não vai dar em nada”.
Principal parceiro de Zeca, o PDT mostrou que está com o petista, mas não inteiro. O deputado estadual Antônio Braga anunciou que faz parte de um grupo de dissidentes do PDT que nutre paixão por André e vai com ele aconteça o que acontecer. Ainda que a legenda decida em convenção se aliar a Zeca, os rebeldes do PDT pedirão votos para André. “É um risco que correremos”, conforma-se Braga.
Quem também quer ficar no ninho de André é o PSDB. Os tucanos fazem planos e mais planos. Nesta semana, anunciaram que pretendem trazer José Serra, presidenciável do partido, ao Estado para que faça ele mesmo o convite formal a André pela aliança. O sonho do PSDB é realizar uma grande festa para recepcionar Serra e amarrar a aliança com André.
O sonho já podia estar mais perto da realidade não fosse a indecisão de André. Ele (segundo dizem) prefere Serra, mas não admite que tenha desistido de Dilma Rousseff, candidata à presidência pelo PT. O peemedebista disse em Costa Rica, pra quem quisesse ouvir que o prazo (dia 15 de abril) acabou, mas não pôs fim a possibilidade de entendimento com Lula. Vai a Brasília dialogar com ele pessoalmente. Quando? Em breve.
Lula queria que André apoiasse Dilma. Mas, com Zeca no caminho o governador não aceita. “Cristão e monogâmico” rejeita bigamia. Dilma teria que se contentar com um palanque só o dele ou de Zeca. Os dois, não. O petista por sua vez debocha do adversário: “não sou mercadoria, não desistirei, sou candidato”. O deputado Paulo Duarte (PT) também provoca André. “Ele é noivo abandonado no altar. Ficou esperando a Dilma e ela não veio”.
Zeca pode não ter PR, o PTB e o PDT inteiro, mas está prestes a ganhar um aliado inesperado o que de quebra causará irritação ao adversário. Bem no começo da semana, o senador Valter Pereira, militante histórico do PMDB, reiterou que se aceitar o convite para se filiar ao PSB será o que sempre foi em toda a sua trajetória política “escravo do partidarismo”. Logo, se o PSB estiver com Zeca Valter também estará. Entretanto, a cúpula da legenda informa que ainda não se decidiu.
Enquanto costura o leque de alianças, Zeca não perde os adversários de vista. Ontem, em Três Lagoas, atacou seu primo, o deputado federal Waldemir Moka que concorrerá ao Senado pelo PMDB. “Igual a cavalo pangaré”, comparou. Moka preferiu não comentar a provocação.
sábado, 17 de abril de 2010
Rogério Rosso, do PMDB, é eleito novo governador do DF
Ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Rogério Rosso (PMDB) é o novo governador do Distrito Federal. Ele foi eleito neste sábado, no primeiro turno, com 13 votos dos integrantes da Câmara Legislativa - o mínimo necessário para ocupar o cargo.Para ser eleito, ele precisava do apoio de mais da metade dos 24 deputados distritais.Rosso conquistou a vitória com o apoio do PMDB, PPS, DEM e parte do PR - que tinha como candidato o atual governador interino, Wilson Lima (PR). Na chapa, além de Rosso, a ex-secretária Ivelise Longhi (PMDB) foi eleita vice-governadora do DF.De acordo com a Folha Online, o novo governador também foi administrador de Ceilândia no último governo Joaquim Roriz (PSC) e, na gestão de Arruda, presidiu a Codeplan (Companhia de Planejamento do Distrito Federal).A votação ocorreu de forma aberta, com cada um dos 24 deputados distritais proclamando o seu voto. No mês passado, Arruda foi cassado por infidelidade partidária, após ter saído do DEM. Envolvido em um escândalo de corrupção, ele chegou a ficar preso por dois meses por determinação do STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Votos de 24 deputados elegerão novo governador do DF
Os seis candidatos ao governo do Distrito Federal receberão os votos dos 24 deputados distritais, inclusive daqueles acusados de envolvimento no esquema de corrupção. O eleito tomará posse na segunda-feira (19).A sessão na Câmara Legislativa acontece nesta tarde. Os candidatos terão de dividir os 30 minutos destinados aos discursos. Depois, será feita a votação, que será aberta. Vence o candidato que tiver a maioria absoluta dos votos. Se não alcançar o índice, haverá segundo turno.O eleito assume o governo do Distrito Federal por um mandato-tampão até 31 de dezembro. Deverá garantir a estabilidade das instituições depois da crise, que atinge o Distrito Federal há cinco meses.O novo governador assume no lugar de José Roberto Arruda, que teve o mandato cassado acusado de envolvimento no esquema de corrupção. Ele foi filmado recebendo dinheiro de empresários.Deputados distritais também foram filmados. Dois deles: Leonardo Prudente – filmado guardando dinheiro nas meias – e Júnior Brunelli – filmado fazendo a “oração da propina” - renunciaram para fugir da cassação. Eurides Brito, que aparece em imagens guardando maços de notas na bolsa, não renunciou e participa da votação de hoje.
Transmissão pela TV adia etapa de Fórmula 3 na Capital
Divulgação
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Etapa foi adiada para os dias 16, 17 e 18 de julho
A etapa de Campo Grande do campeonato Sul-americano de Fórmula 3, marcada para os dias 24 e 25 de abril no Autódromo Internacional, foi adiada para os dias 16, 17 e 18 de julho. Em comunicado aos pilotos, a Federação de Automobilismo de Mato Grosso do Sul afirma que a mudança acontece em função de adequações às possibilidades de transmissão pela Rede Vida de Televisão.Segundo a Federação, categorias metropolitanas – como turismo e arrancada - que acontecem paralelamente à etapa da Fórmula 3 também serão adiadas. A Fórmula 3 é a principal categoria de monopostos do país e torna-se atrativa por ser o último degrau de aprendizado para aqueles que buscam a Europa. O campeão e o vice garantem o direito a teste em uma das equipes européias das categorias GP2, Fórmula 2 e F-Renault - que dão acesso à Fórmula 1.
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Etapa foi adiada para os dias 16, 17 e 18 de julho
A etapa de Campo Grande do campeonato Sul-americano de Fórmula 3, marcada para os dias 24 e 25 de abril no Autódromo Internacional, foi adiada para os dias 16, 17 e 18 de julho. Em comunicado aos pilotos, a Federação de Automobilismo de Mato Grosso do Sul afirma que a mudança acontece em função de adequações às possibilidades de transmissão pela Rede Vida de Televisão.Segundo a Federação, categorias metropolitanas – como turismo e arrancada - que acontecem paralelamente à etapa da Fórmula 3 também serão adiadas. A Fórmula 3 é a principal categoria de monopostos do país e torna-se atrativa por ser o último degrau de aprendizado para aqueles que buscam a Europa. O campeão e o vice garantem o direito a teste em uma das equipes européias das categorias GP2, Fórmula 2 e F-Renault - que dão acesso à Fórmula 1.
Temos pouco tempo
Não temos muito tempo. Essa é a convicção de todos que participaram do Fórum Sobre Sustentabilidade, ocorrido em Manaus e promovido pelo Lide, evento que contou com a presença de grandes personalidades mundiais, como Al Gore e James Cameron.Os focos da discussão foram a floresta amazônica e o seu papel primordial para a regulação do clima global. O crescimento dessa imensa cobertura vegetal absorve grandes quantidades de CO2. Além disso, por concentrar cerca de 15% da água doce líquida do mundo, a Amazônia, através da evotranspiração (processo que lança umidade na atmosfera pela evaporação da água do solo e pela transpiração da água das plantas), contribui para regular o regime pluviométrico e funciona como uma espécie de ar-condicionado do clima.Entretanto, o desmatamento descontrolado pode levar à “savanização” da Amazônia. Nesse caso, ela deixaria de ser esse “ar-condicionado” e passaria a funcionar como um “lançachamas”, com consequências desastrosas para o Brasil e para o mundo.Há que se considerar que as árvores da Amazônia têm cerca de 100 bilhões de toneladas de carbono. Isso representa 15 anos do total de emissões mundiais (naturais e humanas) de gases do efeito-estufa. Assim, essa floresta é um importante ponto de equilíbrio do ciclo mundial do carbono. Ademais, a Amazônia detém boa parte da biodiversidade mundial, que espera para ser transformada em produtos revolucionários pela biotecnologia. A madeira não é a riqueza da Amazônia, a grande riqueza da Amazônia é a informação genética que está contida nessa madeira e em suas espécies vegetais.O Brasil tem, portanto, o dever de cuidar bem desse patrimônio inestimável.Mas também tem o dever de cuidar bem dos 24 milhões de brasileiros que lá vivem, a maioria pessoas pobres que precisam de renda e emprego. A chave para resolver essa difícil equação está no desenvolvimento sustentável. O Brasil e o mundo precisam caminhar urgentemente para uma economia verde, “descarbonizada”.Entretanto, essa não é uma tarefa fácil, nem barata. As grandes economias mundiais têm, em geral, matriz energética suja. São viciadas em petróleo e carvão. E os países desenvolvidos devastaram todos os seus biomas. Reverter esse processo de degradação ambiental e fazer a reconversão para a economia verde demandará muito investimento e determinação política. Está claro também que o principal mecanismo internacional para lidar com a questão, o Protocolo de Quioto, que reúne apenas os países industrializados, tem se revelado insuficiente.O Brasil, ao contrário, tem matriz energética limpa, baseada em hidrelétricas e no uso da biomassa. Ademais, temos ainda cerca de 80% das nossas florestas preservadas. Nosso único calcanhar de aquiles relativo ao meio ambiente é justamente o desmatamento, fonte de 65% das nossas emissões de CO2. Temos, portanto, todas as condições de sermos líderes no processo de criação de uma economia verde. Através de mecanismos financeiros como o do REDD (programa da ONU que financia a sustentação das florestas), poderíamos fazer, no curto prazo, que a floresta valha mais em pé do que derrubada, gerando serviços ambientais fundamentais para o clima mundial. E, com uma política tecnológica adequada, poderíamos explorar, no futuro, o imenso potencial biotecnológico da Amazônia. A floresta e seus habitantes precisam é de recursos, e não de denúncias muitas vezes demagógicas de quem não convive com sua realidade.Há, contudo, um grande estrangulamento: falta dinheiro. Os países desenvolvidos comprometeram seus orçamentos com políticas anticíclicas para combater a crise. Têm déficits estratosféricos.O fracasso de Copenhague está muito relacionado a isso. Assim, propus criar um fundo mundial com base na taxação de até 1% das importações internacionais, o que não teria qualquer efeito negativo nas economias.Com potencial arrecadador de até US$ 100 bilhões/ano, tal fundo poderia custear essas atividades. Observe-se que, segundo o Greenpeace, a manutenção das florestas do planeta demandaria apenas cerca de US$ 40 bilhões/ano.Soluções existem, mas temos de correr, ou o pouco tempo disponível as sepultará no cemitério das boas intenções.(*) Aloizio Mercadante é senador (PT/SP) e líder do PT no Senado.
Um erro estratégico
A mudança do marco regulatório do petróleo é o maior erro de política industrial do governo brasileiro desde a aprovação da lei de reserva de mercado da informática, em 1984. Com a lei 9.478/97, o Brasil criou a Agência Nacional do Petróleo para gerir o monopólio da União e abriu a exploração e a produção para o setor privado. A Petrobras foi mantida sob controle estatal, mas capitalizada com lançamento de ações em Nova York e com parte dos recursos do FGTS de mais de 55 mil trabalhadores. Mesmo tendo de competir no mercado brasileiro com outras cerca de 70 empresas, a Petrobras detém hoje mais de 94% da produção de óleo e gás do país e teve o seu valor multiplicado por onze ao longo dos últimos 12 anos. Nesse período, o investimento do setor passou de US$4 bilhões anuais em 1997 para US$35 bilhões em 2009. O setor, que não passava de 2% do PIB, representa mais de 12% da economia. A produção de óleo mais que dobrou. As descobertas quintuplicaram as reservas. As receitas governamentais (bônus dos leilões, royalties e participações especiais) dos três níveis da federação saltaram de R$200 milhões em 1997 para R$25 bilhões em 2008. A descoberta do pré-sal ampliou brutalmente o horizonte e as expectativas. Mas em vez de aumentar a alíquota das participações especiais e, assim, incrementar as receitas governamentais, o governo Lula atuou como um rei Midas às avessas: paralisou o processo de licitação de novas áreas para exploração em regime de concessão e resolveu mudar todo o marco regulatório, mesmo com o preço do petróleo no pico e a demanda aquecida. O último projeto de lei aprovado na Câmara dos Deputados autoriza o governo a capitalizar a Petrobras usando cinco bilhões de barris de reservas de petróleo, sem que a empresa tenha que pagar nem bônus de assinatura nem participação especial. É curioso que os petistas que acusavam o regime de concessão de ser uma privatização das reservas estejam concordando com a decisão de vender reservas de petróleo a futuro para capitalizar a Petrobras. Como a insensatez em sua marcha sempre encoraja ações cada vez mais estúpidas, estamos agora nos defrontando com a chamada emenda Ibsen Pinheiro, que expropria as receitas de petróleo dos estados e dos municípios produtores e as distribui a todos os "sem petróleo" do país. Um Robin Hood de hospício não faria melhor. Tirar da noite para o dia R$7 bilhões do Rio de Janeiro e R$500 milhões do Espírito Santo, quebrar contratos, centralizar ainda mais na União e mandar para o custeio geral de estados e municípios as receitas de petróleo é um absurdo completo. Trata-se de um bode colocado numa discussão já completamente desorganizada. O presidente Lula, juiz magnânimo das confusões que ele mesmo promove, já garantiu que "não vai deixar o Rio de Janeiro na mão". Quem quiser que acredite. Neste momento, o Senado tem que recomeçar o debate do marco regulatório do setor de petróleo e gás perguntando: o que deve mudar na lei 9.478/97, tendo em vista a nova realidade que se apresenta depois das descobertas na camada pré-sal? (*) Luiz Paulo Vellozo Lucas é deputado federal (PSDB/ES) e presidente do Instituto Teotônio Vilela.
Consciências sujas
João Guimarães Rosa, gênio da raça, escrevia sobre os mistérios e os escombros da alma humana, decifrava-os. Sabia os atalhos, os anseios escondidos, as tormentas interiores de cada um. Um dia, sentenciou: “pessoas limpas, pensam limpo”.Hoje estamos diante de dois simbólicos pensamentos. De um lado, o povo brasileiro pedindo, com milhões de assinaturas, pela aprovação do projeto dos homens limpos em pensamentos, nome e currículo, comandando a nossa política. É o Projeto de Lei Ficha Limpa, que tem como objetivo central “remover das eleições candidatos que cometeram crimes sérios, como desvio de verba pública, corrupção, assassinato e tráfico de drogas”. Os sujos, como eles sempre fazem, já jogaram a votação do Projeto para maio. Por certo, para terem tempo de converter votos e garantir mais uma derrota para a democracia e para os desejos e anseios do povo brasileiro. Afinal, dois milhões de assinaturas valem nada, mas dois milhões de votos...Em uma democracia tão frágil como a nossa, em que um voto pode ser comprado com um simples pão com manteiga e que vários votos podem ser fidelizados com um prato de comida diário, a sociedade tem que se organizar e estabelecer normas para aqueles que querem gerir a sua vida, para aqueles que terão o seu aval para tomar decisões, interferindo assim na vida e destino de milhões de brasileiros.Por outro lado, temos o político que freqüenta mais os cadernos de polícia que de política em nossos jornais, Paulo Maluf, tentando retaliar e enquadrar, com um Projeto de Lei, o Ministério Público. É claro que este projeto de Paulo Maluf só tramita célere no Congresso por que conta com o silêncio cúmplice do Planalto e do PT. Pois, se fosse em outra época, a banca petista já teria colocado a esvoaçante Ideli Salvatti na rua e rufado os tambores da consciência cívica e moral, aqueles que eles desde que chegaram ao poder, não bradaram mais. O mundo político nacional se tornou isso, uma matilha de cachorros iguais, cada um querendo apenas morder o maior quinhão que não lhe cabe. Por isso eles querem enquadrar o Ministério Público, vedar os olhos da Justiça. Não para barrar os crimes de agora, mas os crimes futuros, que eles vão perpetrar para perpetuar no poder, para alugar partidos, comprar comissões e, até mesmo, subornar promotores, procuradores, ministros e juízes. Eles sabem que o crime no Brasil compensa e muito, e sempre tem uma boa recompensa... Por isso, é bom estar sempre com os cuecões fartos, impregnados pela sujeira do poder.(*) Petrônio Souza Gonçalves é jornalista e escritor.
Por que a imprensa 'gosta' de tragédias?
"A imprensa são os olhos da sociedade" Rui Barbosa Historicamente, políticos sem exceção mudam o juízo que fazem da imprensa quando assumem o poder. É uma questão elementar, de lugar de fala: ora na oposição, ora na situação. Lula não contrariou a regra. Quando sindicalista oprimido, construiu a sua biografia de "filho do Brasil" graças ao amplo espaço e ao bom tratamento que recebeu da mídia. Fustigou governantes um a um, quando era oposição. As tribunas nas quais subiu não lhe dariam tanto eco, não fosse a presença de jornalistas para transportar a sua oratória para uma outra tribuna, esta que nas sociedades com algum vestígio de democracia constitui um dos espaços públicos. No caso da chamada esfera pública burguesa, a imprensa ocupa uma centralidade, pois nenhuma outra instituição é tão provedora da polêmica em torno do bem comum quanto a imprensa. Numa República, a imprensa funciona como "um campo de campos", expressão do professor Adriano Duarte Rodrigues, da Universidade Nova de Lisboa, já que ela proporciona o leva e traz, as intermediações entre os diversos subespaços que compõem o espaço social: o espaço comum (da rua, da praça, do mercado); o espaço público (composto pelos espaços discursivos); o espaço político (do poder estabelecido, governo e Estado); e por que não, o espaço privado, já que a mídia, como um todo, faz a todo momento a intermediação entre a casa, a rua e os demais espaços – ou seja, entre a privacidade e a publicidade e vice-versa. Uma vez no poder, os homens públicos passam a merecer privilegiadamente a atenção da imprensa, mas de um outro ângulo, o ângulo da crítica, pois a imprensa também representa o papel de um poder fiscal, o quarto poder que fiscaliza todos os outros, uma fiscalização ad hoc. Sem fazer parte do Estado, a imprensa desempenha os papéis de: controladoria, inspetoria, auditoria e corregedoria. Daí a sua parcimônia para com os elogios. Fatos administrativos geram elogios quando representam uma exceção. Ou seja, a boa gestão não dá notícia, a não ser para contrastar com a má gestão generalizada. Não raro, porém, mas quase sempre quando os governantes estão irritados, surge a máxima "a imprensa gosta de tragédias". Embora lugar comum, clichê, trata-se de uma verdade. Mas há uma explicação lógica e funcional para isso. Uma das funções da imprensa é a de alerta. Este é um dos seus principais lugares de fala. Entre a anunciação e a denunciação, a imprensa fica preferencialmente com a última. Daí, a suspeição que sempre recai sobre jornalista dado a elogios. São, digamos, orientações enunciativas distintas: a de quem anuncia e a de quem denuncia. Por vezes, a indignação para com a imprensa e os jornalistas gera avaliações do tipo: a imprensa gosta mesmo é de podres, de escândalos, de sensacionalismo, de tragédias. É verdade. Mas, mais uma vez, a razão lógica, por mais que se queira reduzi-la a uma razão meramente mercadológica, ou mesmo patológica. Nada demais se os jornalistas forem comparados aos urubus que pairam sobre o que se deteriora no mundo. É que o cogito jornalístico não é o do sujeito comum, na sua relação subjetiva – e cognitiva – do tipo sujeito à objeto, isto é, sujeito à mundo. O mundo não é notícia se o mundo estiver normal. O mundo valerá notícia se ele estiver imundo. Ora, se uma das funções do jornalista é a de ser atalaia – aquele que fica no alto, olhando o horizonte para dar o alarma – não se espera que ele fique a toda hora gritando: "Tudo normal, tudo normal!". O cogito do ser cognoscente comum diante do que lhe expõe o mundo (objeto) é: "penso, logo existo". O cogito jornalístico por excelência é: o mundo está diferente, logo, penso e alardeio. Uma boa comparação, no entanto, é com os gansos. Ao contrário dos urubus, os gansos não estão à procura de podridão, mas são alardeadores. Pois bem, na história de Roma há um episódio em que o alerta foi dado pelos gansos, os primeiros a notar que os bárbaros estavam chegando. E esta deveria ser a competência primaz dos jornalistas. Avisar que o perigo se aproxima. E não esperar que já esteja tudo destruído para fazer a denúncia. Voltemos ao atalaia e seu lugar privilegiado, no alto da torre, perscrutando o horizonte, de onde possa ver tudo que é ameaça, inclusive, as tragédias. Meteorologistas e jornalistas têm algo em comum, ler o mundo e interpretá-lo: de preferência, antes que o terremoto aconteça e os tsunamis devastem tudo. Pois dizer para quem já está arrasado que houve uma tragédia é zombar da inteligência das vítimas. ](*) Luiz Martins da Silva é jornalista e professor da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Comunicação pela própria UnB e doutor em Sociologia pela Universidade Nova de Lisboa/UnB, Martins coordena o projeto SOS Imprensa da Fac/UnB. Como jornalista, atuou no Jornal de Brasília, no jornal O Globo e na revista Veja, entre outros. Organizou/publicou três livros e tem 19 capítulos publicados em livros.
"A imprensa são os olhos da sociedade" Rui Barbosa Historicamente, políticos sem exceção mudam o juízo que fazem da imprensa quando assumem o poder. É uma questão elementar, de lugar de fala: ora na oposição, ora na situação. Lula não contrariou a regra. Quando sindicalista oprimido, construiu a sua biografia de "filho do Brasil" graças ao amplo espaço e ao bom tratamento que recebeu da mídia. Fustigou governantes um a um, quando era oposição. As tribunas nas quais subiu não lhe dariam tanto eco, não fosse a presença de jornalistas para transportar a sua oratória para uma outra tribuna, esta que nas sociedades com algum vestígio de democracia constitui um dos espaços públicos. No caso da chamada esfera pública burguesa, a imprensa ocupa uma centralidade, pois nenhuma outra instituição é tão provedora da polêmica em torno do bem comum quanto a imprensa. Numa República, a imprensa funciona como "um campo de campos", expressão do professor Adriano Duarte Rodrigues, da Universidade Nova de Lisboa, já que ela proporciona o leva e traz, as intermediações entre os diversos subespaços que compõem o espaço social: o espaço comum (da rua, da praça, do mercado); o espaço público (composto pelos espaços discursivos); o espaço político (do poder estabelecido, governo e Estado); e por que não, o espaço privado, já que a mídia, como um todo, faz a todo momento a intermediação entre a casa, a rua e os demais espaços – ou seja, entre a privacidade e a publicidade e vice-versa. Uma vez no poder, os homens públicos passam a merecer privilegiadamente a atenção da imprensa, mas de um outro ângulo, o ângulo da crítica, pois a imprensa também representa o papel de um poder fiscal, o quarto poder que fiscaliza todos os outros, uma fiscalização ad hoc. Sem fazer parte do Estado, a imprensa desempenha os papéis de: controladoria, inspetoria, auditoria e corregedoria. Daí a sua parcimônia para com os elogios. Fatos administrativos geram elogios quando representam uma exceção. Ou seja, a boa gestão não dá notícia, a não ser para contrastar com a má gestão generalizada. Não raro, porém, mas quase sempre quando os governantes estão irritados, surge a máxima "a imprensa gosta de tragédias". Embora lugar comum, clichê, trata-se de uma verdade. Mas há uma explicação lógica e funcional para isso. Uma das funções da imprensa é a de alerta. Este é um dos seus principais lugares de fala. Entre a anunciação e a denunciação, a imprensa fica preferencialmente com a última. Daí, a suspeição que sempre recai sobre jornalista dado a elogios. São, digamos, orientações enunciativas distintas: a de quem anuncia e a de quem denuncia. Por vezes, a indignação para com a imprensa e os jornalistas gera avaliações do tipo: a imprensa gosta mesmo é de podres, de escândalos, de sensacionalismo, de tragédias. É verdade. Mas, mais uma vez, a razão lógica, por mais que se queira reduzi-la a uma razão meramente mercadológica, ou mesmo patológica. Nada demais se os jornalistas forem comparados aos urubus que pairam sobre o que se deteriora no mundo. É que o cogito jornalístico não é o do sujeito comum, na sua relação subjetiva – e cognitiva – do tipo sujeito à objeto, isto é, sujeito à mundo. O mundo não é notícia se o mundo estiver normal. O mundo valerá notícia se ele estiver imundo. Ora, se uma das funções do jornalista é a de ser atalaia – aquele que fica no alto, olhando o horizonte para dar o alarma – não se espera que ele fique a toda hora gritando: "Tudo normal, tudo normal!". O cogito do ser cognoscente comum diante do que lhe expõe o mundo (objeto) é: "penso, logo existo". O cogito jornalístico por excelência é: o mundo está diferente, logo, penso e alardeio. Uma boa comparação, no entanto, é com os gansos. Ao contrário dos urubus, os gansos não estão à procura de podridão, mas são alardeadores. Pois bem, na história de Roma há um episódio em que o alerta foi dado pelos gansos, os primeiros a notar que os bárbaros estavam chegando. E esta deveria ser a competência primaz dos jornalistas. Avisar que o perigo se aproxima. E não esperar que já esteja tudo destruído para fazer a denúncia. Voltemos ao atalaia e seu lugar privilegiado, no alto da torre, perscrutando o horizonte, de onde possa ver tudo que é ameaça, inclusive, as tragédias. Meteorologistas e jornalistas têm algo em comum, ler o mundo e interpretá-lo: de preferência, antes que o terremoto aconteça e os tsunamis devastem tudo. Pois dizer para quem já está arrasado que houve uma tragédia é zombar da inteligência das vítimas. ](*) Luiz Martins da Silva é jornalista e professor da Faculdade de Comunicação (FAC) da Universidade de Brasília (UnB). Mestre em Comunicação pela própria UnB e doutor em Sociologia pela Universidade Nova de Lisboa/UnB, Martins coordena o projeto SOS Imprensa da Fac/UnB. Como jornalista, atuou no Jornal de Brasília, no jornal O Globo e na revista Veja, entre outros. Organizou/publicou três livros e tem 19 capítulos publicados em livros.
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o PT e o senador Delcídio do Amaral (PT) deram início à agenda em conjunto na sexta-feira, em Três Lagoas (339 km de Campo Grande) e o congressista afirmou que os dois estão em sintonia.“Vão cansar de tirar fotografias nossas andando nesse Estado. A candidatura do Zeca é absolutamente importante não só para o PT, mas para mim e para todos os candidatos a deputado estadual e federal”, disse o senador.Por muito tempo, Zeca e Delcídio mediram força e trocaram de farpas dentro do PT. Agora, os dois afinaram os discursos.Em Três Lagoas, os pré-candidatos participaram de um encontro na Câmara Municipal.Durante o evento, Delcídio fez elogios ao presidente Lula e disse que tem confiança na vitória da presidenciável Dilma Rousseff (PT). Para ele, nos próximos dois meses, o PT terá um trabalho intenso para articular as agendas, negociar as alianças e colocar a campanha nas ruas. “Vamos juntos à vitória”, afirmou.O pré-candidato a governador também fez elogios ao senador. "Delcídio, me orgulho de ti; sua representatividade não é só do Mato Grosso do Sul, mas do Brasil. Essa nossa militância, da ética, da democracia, da civilidade e respeito a vida, mais uma vez, vai ser o diferencial”, afirmou Zeca.