segunda-feira, 11 de julho de 2011

Delcídio pede na justiça R$ 100 mil de indenização de jornalista do Midiamax

Mais uma vez, o senador Delcídio do Amaral Gomez (PT-MS) está processando jornais e jornalistas que noticiaram a suposta citação dele em conversas gravadas durante investigações da Operação Uragano, realizadas pela Polícia Federal em 2010.
Agora, o petista quer “reparação por danos morais” e deu à causa o valor de R$ 100 mil reais. Ele processou o jornal Midiamax e o jornalista Celso Bejarano Júnior por reproduzirem uma notícia veiculada pela imprensa nacional com o título “Imprensa nacional revela citação de Delcídio em inquérito na Operação Uragano”.
A reportagem havia sido veiculada originalmente no portal nacional Terra, que também está sendo processado, junto com o jornalista Ítalo Milhomem Zikemura. No texto, o repórter informa que trechos de escutas telefônicas realizadas para investigar o suposto esquema de desvio de verbas públicas em Dourados com autorização judicial contêm citação do nome de Delcídio do Amaral.
Políticos federais no MPF
Na ação, o senador alega que não teria sido instaurado qualquer procedimento contra ele ao final da operação. No entanto, o delegado da Polícia Federal Bráulio Gallone, que conduziu o inquérito da Uragano, em momento algum desmentiu a presença do nome de Delcídio nas conversas e já informou várias vezes que as citações de políticos em cargos federais foram encaminhadas para Brasília.
Gallone reafirma, inclusive, que todos os trechos envolvendo parlamentares federais de Mato Grosso do Sul foram remetidos diretamente para o Ministério Público Federal, a quem compete tomar as medidas cabíveis. “Não posso mais me manifestar sobre esse assunto. O que eu disse antes foi o que aconteceu. Agora, é com o Ministério Público Federal”, resume.
Pressão contra imprensa
Não é a primeira vez que Amaral entra na Justiça contra a imprensa. Segundo o próprio advogado de Delcídio, Laércio Guilhem, atualmente existem pelo menos seis processos do senador petista contra jornais ou jornalistas.
Nas redes sociais, a prática adotada por Delcídio para lidar com as notícias que considera “ofensivas à moral e à honra” causa reação entre jornalistas sul-mato-grossenses.
O fato de o político do PT ter atribuído um valor considerado elevado para os ganhos médios dos jornalistas em Mato Grosso do Sul é apontado como uma forma de tentar desencorajar matérias que liguem o nome de Delcídio ao escândalo de corrupção que explodiu com a Operação Uragano.
A prática tem sido denunciada internacionalmente há tempos, principalmente como forma de fortalecer o combate à corrupção na América Latina. Recentemente, a SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) divulgou uma resolução expressando a preocupação com a "deterioração da liberdade expressão e da liberdade de imprensa no continente americano" e pedindo a revisão ou anulação de leis que limitem o trabalho dos jornalistas.
São citados exemplos de países como Bolívia e Paraguai, onde aumentou o número de processos contra jornalistas após assassinatos dos mesmos passarem a ser mais bem investigados por pressão internacional. “Os processos por difamação e calúnia se transformaram (...) em um instrumento para amedrontar os profissionais de imprensa, na tentativa de impedir sua atividade informativa e investigativa".
O advogado de Delcídio, Guilhem, nega a intenção de coagir. "Pode falar do Delcídio, mas não pode é usar isso politicamente, para atacar ele por interesse de adversários políticos", disse. Ele, no entando, não quis identificar quem seriam esses supostos 'adversários políticos'.
Segundo o jornalista do Midiamax processado, Celso Bejarano Júnior, o que mais causou estranheza foi a forma como Delcídio questionou a reportagem. “O senador tem todo o direito de protestar, mas jamais devia dizer na ação que a reportagem foi movida por um ‘conluio, conchavo, ou algo assim’”, indigna-se.
“Foi graças às gravações da Uragano que mais da metade dos políticos corruptos de Dourados foi parar na cadeia. Se formos desconsiderar tal investigação, então devemos pedir desculpas a esse grupo, tido como quadrilha pela PF, e dizer que tudo era uma brincadeirinha”, pondera.
"Dizer que a matéria só teve a intenção de atacar o Delcídio é inconcebível. Todos os dias o Midiamax noticia fatos envolvendo políticos de todas as matizes políticas, não cabe usar essa desculpa para blindar o senador sobre as explicações que tem de dar sobre o fato de falarem o nome dele em ligações intercpetadas durante a Uragano", diz Bejarano.
Mais citações
Celso Bejarano explica que em todos os momentos atentou para os preceitos éticos do jornalismo e que jamais foi movido por interesse político algum. “Jornalista não tem partido. E tem mais: o nome de Delcídio não é citado apenas pelo diretor de Obras de Dourados! O ex-prefeito Ari Artuzi, que seria o chefe do bando, também menciona o nome do senador. Essas gravações foram mandadas para a Procuradoria Geral de Justiça, que deve se manifestar, um dia, pela abertura ou não de inquérito contra Delcídio”, diz.
Bejarano, que tem duas décadas de experiência no jornalismo investigativo como correspondente de diversos jornais de circulação nacional, garante que a reportagem não trata Delcídio como culpado em momento algum. “A notícia disse que o nome dele surgiu num diálogo gravado sob a batuta da Justiça. Isso não pode ser noticiado? Por qual razão? Que jornalista deixaria uma notícia dessas escapar?”.
Quem não deve...
Ele ainda diz que, com a preocupação exagerada do senador em desencorajar todos a falarem sobre o suposto envolvimento dele nos esquemas de desvio de dinheiro do povo em Dourados causa estranheza.
“Sinceramente, acho, sim, que essa ação do senador deve ser apurada, julgada e se houver culpados, que sejam punidos. Se fosse eu, estaria preocupado em cobrar investigação imediata para limpar meu nome, não estaria fazendo o contrario, querendo calar a boca de todos com intimidação judicial. Diz o dito popular quem não deve, não teme”, afirma.
Questão de honra
O sócio-diretor do Midiamax, Carlos Eduardo Naegele, diz que a revolta do senador faz parte da democracia. Mesmo assim, conta que recebeu o recurso judicial “com indignação”.
Naegele repudia a suspeita que o senador coloca sobra a boa prática jornalista do Jornal. "A trajetória do Midiamax não permite a ilação feita pelo senador e nossa linha editorial não muda com isso, a pauta da operação Uragano será mantida”, declara.
Segundo o empresário, agora "é ponto de honra" acompanhar o desfecho das investigações que começaram com a Operação Uragano. “Acho que o senador devia ocupar o seu tempo contribuindo com as investigações, não atrapalhando o trabalho da imprensa”, conclui Naegele.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Procurador da República instaura inquérito civil contra DNIT em Mato Grosso do Sul

O Ministério Público Federal instaurou nesta quinta-feira (5) um inquérito civil público contra a Superintendência do DNIT em Mato Grosso do Sul. O objetivo é apurar irregularidades na atuação do órgão na Rodovia BR-158, na altura do km 94, em Paranaíba.
O trecho passa pela área urbana do município, próximo ao Jardim Karina, e se tornou perigoso para a população, que constantemente precisa cruzar a rodovia no local.
Segundo o procurador da República Leonardo Augusto Guelfi, o inquérito vai verificar se o DNIT está tomando as medidas necessárias para garantir a segurança dos pedestres.
Na própria portaria de instauração do inquérito civil contra o DNIT, foi determinada uma 'recomendação' para que a Superintendência Regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes do Mato Grosso do Sul implante "método eficiente de redução de velocidade".

Com suspeita de superfaturamento, BR-163 continua esburacada após obras do Dnit-MS

Superfaturamento, descumprimento de determinação anterior do TCU para licitação irregular, falta de detalhamento da composição de custos do serviço, atestação indevida de medição do serviço de fresagem e deficiência verificada na apresentação das propostas de preços vencedoras.
Todos os problemas técnicos encontrados na auditoria do TCU na BR- 163 lembram a situação demonstrada pela reportagem do Midiamax em relação às obras de restauração da BR-267, glosada da mesma forma pelo Tribunal. E da mesma forma incluída no Fiscobras 2010, em "Irregularidades Graves".
Depois de analisada pelos engenheiros do Tribunal, a auditoria da BR-163 foi transformada em "tomada de contas especial" e enquadrada no Fiscobras de 2010 em "irregularidades graves". E o relatório final foi remetido ao Congresso Nacional, para a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização, responsável pelo acompanhamento de casos de uso ilegal dos recursos da União.
O que resta é a principal rodovia do MS, esburacada, ondulada, sem acostamento e com tapa-buracos frequentes, e que ainda recebe o tráfego pesado do MT e de Rondônia.
A reportagem percorreu um dos trechos auditados, entre Bandeirantes e Coxim, exposto aqui em vídeo. Sobre o trecho, o TCVU afirma que "verifica-se indício de superfaturamento/sobrepreço de cerca de R$ 2.855.356,98 (ref. julho/2008) no Contrato 14/2009, Crema 1ª Etapa, segmento do km 467,7 ao km 594 da BR-163/MS, causado, principalmente, por falhas na especificação e na definição de preços de alguns serviços previstos no projeto da licitação.
Um dos pontos da auditoria assim descreve uma situação irregular da obra, que ocorreu "a sem elaboração dos estudos necessários à inclusão de faixa adicional à rodovia existente, de modo a garantir a viabilidade técnico-econômica do empreendimento, a durabilidade da obra e a segurança à trafegabilidade na BR 163/MS".
No entanto, à época da auditoria, os custos eram milionários, segundo o TCU:
"Na ocasião da vistoria, a obra apresentava o percentual de execução de 71%, tinha o valor estimado para conclusão de R$ 14.198.885,53, em 17/05/2011, e registrava os seguintes dados de execução financeira / orçamentária:
Apesar do alto valor das obras, no começo do mês a reportagem flagrou um serviço de tapa-buracos sendo feito de forma manual, sem o uso de máquinas.




Pelo menos seis obras do DNIT em MS estão na mira da devassa determinada por Dilma

Por determinação da presidente Dilma Roussef, a CGU (Controladoria Geral da União) investiga desde ontem (4) as licitações, contratos e execução de obras que alimentaram as denúncias que motivaram a queda de autoridades importantes ministério no último fim de semana. Toda suspeita será reexaminada por ordem da presidente.
Aqui em Mato Grosso do Sul, ao menos seis obras executadas pelo DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes), braço do Ministério dos Transportes, apresentaram, segundo relatório da CGU, divulgado em novembro passado, “indícios de irregularidades graves”.
Em trecho do relatório do TCU (Tribunal de Contas da União), auditores da corte narram ter enxergado suspeitas de superfaturamento, crime que determinou, por exemplo, a queda do diretor-geral do Dnit, Luiz Pagot. Além de Pagot, foram afastados mais três integrantes do ministério dos Transportes, entre eles Mauro Barbosa da Silva, chefe do gabinete do ministro Alfredo Nascimento.
O comandante do Dnit em MS, Marcelo Miranda, em entrevista ao Midiamax, ontem, disse que as determinações federais não devem afetar o andamento das obras no Estado.
Em novembro passado, o relatório do TCU informava que as irregularidades achadas em obras de MS não provocariam a suspensão das obras, contudo as falhas deveriam ser corrigidas.
Note aqui as obras tidas como suspeitas, conforme reportagem publicada por este site no dia 11 de novembro do ano passado.
A primeira obra da lista das irregulares é a do projeto de revitalização executado na BR-163/MS. Trechos têm sido recuperados nas divisas de MS com os estados de Mato Grosso e Paraná a um custo de R$ 42.625.347,38.
O TCU vistoriou essa obra, tocada desde julho de 2008, em abril do ano passado (2010). Técnicos da corte viram essas irregularidades:
Descumprimento de determinação exarada pelo TCU; projeto básico deficiente ou desatualizado; execução de serviços com qualidade deficiente; superfaturamento decorrente de quantitativo inadequado e inexistência ou inadequação de Estudo de Viabilidade técnica econômica e ambiental da obra.
Outro serviço com indícios de irregularidades foram acusadas na conservação/recuperação da BR/163, do km 255,60 ao km 364,60, também perto das divisas de MS com MT e PR.
Nesse trecho, em construção desde maio de 2007, que custou R$ 4.699.733,89, segundo o TCU, surgiram duas irregularidades: execução de serviços com qualidade deficiente e pagamento de serviços não previstos contratualmente.
Supervisão deficiente
Já na manutenção de trechos entre os km 124 ao km 185 da BR-267, vistoriado em junho desde ano, o TCU anotou esses indícios de irregularidades: fiscalização ou supervisão deficiente ou omissa; execução de serviços com qualidade deficiente e projeto executivo deficiente ou desatualizado. Essa construção – 50 km de restauração asfáltica – custa ao governo federal R$ 45.485.196.36.
Ainda segundo relatório do TCU foram detectados em fiscalizações deste ano indícios de irregularidades ainda na BR-267, estrada que segue de Bataguassu a Nova Alvorada, do km 0 ao km 62, trecho em restauração.
Nessa obra, orçada em R$ 60.729.780,28, os fiscais da corte federal anotaram os seguintes indícios de irregularidades: utilização de equipamentos incompatíveis com as especializações técnicas dos serviços contratados; fiscalização ou supervisão deficiente ou omissa e execução de serviços com qualidade deficiente.
Também na BR-267, do km 0 a km 125, onde o governo federal aplicou R$ 13.618.245,84 num projeto de conservação e recuperação da rodovia, os fiscais do TCU apontaram duas supostas irregularidades: projeto básico/executivo sub ou superdimensionado e duplicidade de contratação/licitação de serviços.
A sexta obra com indícios de irregularidades graves, também na BR-267, do km 125 ao km 249, tocada desde janeiro de 2009, custa R$ 10.420.903,26. Nesse serviço de conservação/manutenção da estrada, o TCU viu o projeto básico/executivo sub ou superdimensionado e duplicidade na contratação/licitação de serviços.
Note trecho do comunicado divulgado ontem pela CGU e que indicam que as obras tocadas em MS devem ser investigada por conta a crise motivada sob suspeita de corrupção no ministério.
“As auditorias da CGU abrangem não apenas os órgãos centrais do DNIT e da Valec, em Brasília, mas também suas representações regionais. Como em todos os demais órgãos auditados, essas auditorias registram os problemas constatados e produzem recomendações para saná-las. Nos casos mais graves a CGU recomenda também a apuração de responsabilidades (ou instaura, diretamente, a própria CGU, os procedimentos apuratórios), para punição dos envolvidos”.

Esquema de cobrança de propina derruba ministro dos Transportes

O ministro dos Transportes Alfredo Nascimento entregou na tarde desta quarta-feira, 6, carta de demissão à presidente Dilma Rousseff. A saída do ministro se dá após novas denúncias de irregularidades em sua pasta.
A presidente avaliou que Nascimento não tinha mais condições para continuar no cargo. Senadores do PR foram ao Planalto para se reunir com Dilma ainda nesta quarta.
A presidente informaria a eles que o PR continuará, dentro da divisão de cargos pela coalizão, como titular do ministério - ela vai pedir que o partido indique outro nome para o comando da pasta.
Na base, lideranças do PR e de outros partidos estão acusando o PT e o Planalto de criar um fato politico, a partir das denúncias envolvendo a cúpula do ministério e do Dnit, para esconder a ressurreição do escândalo dos aloprados.
A bancada do PR na Câmara teve um almoço com a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) na casa do lider do partido, o deputado Lincoln Portela (MG). Ideli sugeriu nesse almoço que o ministro Alfredo Nascimento antecipasse a ida ao Senado para a quinta-feira, 7, para explicar as denúncias. Pelos requerimentos aprovados e o acerto com o próprio ministro, isso só aconteceria na semana que vem.
Um emissário foi falar com o nascimento, levando a proposta de Ideli. O emissário voltou da conversa certo de que o minstro dos Transportes "vai jogar a toalha". Um dos nomes cotados para substituir Nascimento é o de Paulo Sérgio Passos, hoje secretário-executivo dos Transportes, de quem Dilma gosta muito.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Marcelo Miranda diz que denuncia que derrubou cúpula do Dnit não afeta obras em MS

O superintendente regional do Departamento Nacional de infraestrutura e Transporte (Dnit), Marcelo Miranda (PMDB) disse que as denúncias da reportagem da Revista Veja que revela um esquema de pagamento de propina para caciques do PR, Partido da República, em troca de contratos de obras não vão atrapalhar as obras em Mato Grosso do Sul.
Segundo Miranda, as obras já foram aprovadas e não há nenhum risco de parar. “Eu não tenho nenhuma informação a mais, no entanto, essas denúncias não vão parar ou atrapalhar as obras em Mato Grosso do Sul. Não vejo nenhum problema. Todos os projetos estão encaminhados”, diz Miranda.
No sábado (2), a presidenta Dilma Roussef (PT) conversou com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e acertou o afastamento dos envolvidos. São eles: Mauro Barbosa da Silva, chefe de gabinete do ministro; Luís Tito Bonvini, assessor do gabinete do ministro; Luís Antônio Pagot, diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit); e José Francisco das Neves, diretor-presidente da Valec. O desligamento dos funcionários será formalizado a partir da próxima segunda-feira, pela Casa Civil.

Dias antes do escândalo na cúpula do Dnit, Giroto tentou blindar obras contra denúncias

Com inúmeras denúncias envolvendo as obras tocadas pelo DNIT em Mato Grosso do Sul, o deputado federal Edson Giroto tentou explicitamente blindar licitações e projetos contra paralisação após suspeitas. "Uma simples denúncia ou uma visão tecnocrática precipitada pode levar à sustação de uma obra de grande importância para a nação”, argumentou para defender emenda à LDO tornando mais difícil parar obras por possíveis irregularidades no uso do dinheiro público.
Agora, após a presidente Dilma Rousseff tirar do comando nacional do DNIT a cúpula do PR, partido de Giroto e do superintendente regional do órgão em MS, Marcelo Miranda Soares, a situação dos contratos sob suspeita no estado pode se complicar.
Em dois anos seguidos, a direção do Dnit-MS foi enquadrada no Fiscobras 2010 por superfaturamento, falta de fiscalização, duplicidade de licitação em obras das BR-267 (Nova Andradina a Nova Alvorada do Sul). E da mesma forma, no Fiscobras de 2009 com a BR-359 (trecho Coxim à Alcinópolis).
Ninho do Partido da República no governo federal, o Ministério dos Transportes tem no DNIT( Departamento Nacional de Infra-Estrutura e Transportes ) seu principal braço como executor de obras em todo o país. Em 2010, o orçamento executado do órgão foi de mais de R$ 9 bilhões.
Depois das denúncias publicadas pela revista Veja nesse final de semana, a presidente Dilma Rousseff decidiu afastar a cúpula do ministério do PR, e com ela o diretor-geral do Dnit, Luiz Antonio Pagot, que endossou a entrada de Edson Giroto no partido.
Com o desenrolar da crise, caso fique comprovada a acusação de "descontrole" das contas do ministério e a de formação de uma "caixinha" com a cobrança de até 5% sobre o valor das obras federais, a posição dos diretores regionais em cargo de confiança nos estados pode balançar.
No caso do MS já houve antecedentes. O diretor regional do DNIT, Marcelo Miranda, já foi investigado pelo TCU por irregularidades em obras de restauração de rodovias federais, vitais para o estado.
Obras em MS sob suspeita
Principal obra do PAC no MS, a BR-359, ainda em construção, depois da intervenção do TCU teve seus custos reduzidos, especialmente em relação aos insumos asfálticos, que estavam acima de tabela estabelecida pelo Tribunal em 5%. A auditoria foi conduzida pela Secex-MS, a regional do TCU no estado.
Os responsáveis, citados nominalmente na auditoria, foram Marcelo Miranda e os principais engenheiros do Dnit/MS. O deputado do PR, Edson Giroto, à época secretário de Obras e presidente da Agesul, a agência do governo do MS que fez a licitação das obras, foi ouvido inclusive porque aparece nos contratos como "Ordenador de despesas".
A principal construtora da obra é a CGR, com dois contratos acima de R$ 100 milhões. É a mesma empreiteira cujo proprietário, Carlos Gilberto Recalde, foi indiciado pela Polícia Federal no processo da Operação Uragano, de Dourados, por superfaturamento de obras e corrupção ativa.
A rodovia, que deveria ter sido inaugurada em dezembro de 2010 no trecho Coxim/Alcinópolis, teve a data remarcada pelo governador Puccinelli para abril, mas ainda não foi concluída, embora os contratos fossem aditados. E agora, deveria receber mais R$ 30 milhões, segundo o site do deputado Edson Giroto.
Os aditamentos de contratos são uma das causas do afastamento da cúpula do Ministério dos Transportes, segundo a revista Veja. E um fato que contrariou a presidente Dilma.
Amizades sob suspeita
Giroto tem grande afinidade com a cúpula do Ministério dos Transportes, não só pela afinidade profissional, como engenheiro e ex-secretário de obras, mas também partidária, já que todos são do PR.
No dia da filiação de Giroto ao PR, em 06 de abril de 2009, integrantes da cúpula do PR e do Dnit estiveram na Assembléia Legislativa do MS, inclusive Luiz Antonio Pagot.
Agora como deputado federal pelo partido, o deputado republicano informa em seu site as suas ações para obtenção de recursos obtidos para obras no MS, junto ao ministério.
Uma delas, do dia 14 de junho, dá conta de uma promessa de recursos no valor de R$ 51 milhões, para obras da BR-359, o contorno ferroviário de Três Lagoas e um reparo na ponte sobre o rio Paraguai, em Corumbá.
A BR-359 já recebeu pelo PAC cerca de R$ 350 milhões de reais, em quatro licitações diferentes, que cobrem o trecho de Coxim à divisa com Goiás, e onde trabalham as empreiteiras CGR, Sercel, CCB e Sanches Tripolini.
E agora havia a promessa do ministro Alfredo Nascimento e seu chefe de gabinete, o afastado Mauro Barbosa de repassar mais R$ 30 milhões, de um total de R$ 51 milhões para o estado, para a obra do contorno ferroviário de Três Lagoas e obras na ponte do rio Paraguai, em Corumbá.
São exatamente os interlocutores dessas áreas dentro do ministério – rodovias e ferrovias - os citados pela revista Veja. A revista relatou como envolvidos no esquema de cobrança de propina o chefe de gabinete do ministro, Mauro Barbosa, o assessor do ministério, Luís Tito Bonvini, o diretor-geral do Dnit (Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transportes), Luís Antônio Pagot, e o diretor-presidente da estatal Valec, José Francisco das Neves.
Valec é a estatal da construção de ferrovias, que no MS implementa a Norte-Sul.
Em vídeos publicados no Youtube, Giroto demonstra a profunda intimidade com a cúpula do Ministério e do Dnit, citando também o governador Puccinelli
Segundo a reportagem da revista, empreiteiros e consultorias de engenharia pagavam de 4% a 5% de "pedágio político" sobre o valor das obras do governo federal feitas com verbas do ministério. A maior parte da verba, diz a revista, é destinada ao PR, partido comandado por Nascimento e pelo deputado Valdemar Costa Neto.
Giroto apresentou emenda à Constituição para mudar ação do TCU
Com o argumento nobre de "evitar que obras paralisadas pelo TCU causem prejuízos ao cofre público", o site do deputado fala que Giroto "apresentou emenda que altera os artigos 91 a 102 da Lei de Diretrizes Orçamentárias, que tratam sobre controle e fiscalização de obras públicas."
Segundo o deputado, “uma simples denúncia ou uma visão tecnocrática precipitada pode levar à sustação de uma obra de grande importância para a nação”, mas aquela auditoria sobre a BR-359, tão bem elaborada a ponto de reduzir os custos das obras, certamente não se encaixa nesses termos.
Ao fundamentar a emenda, o deputado disse que ela visava "possibilitar a comparação entre os prejuízos que a irregularidade traria e os custos decorrentes da paralisação e do adiamento da entrega da obra”.
O site não traz mais detalhes sobre essa relação custo/benefício duvidosa.
Leia os pontos principais das denuncias sobre a cúpula do ministério dos Transportes:
"(...) no último dia 24, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com integrantes da cúpula do Ministério dos Transportes no Palácio do Planalto para reclamar das irregularidades na pasta. Ao lado das ministras Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Míriam Belchior (Planejamento), ela se queixou dos aumentos sucessivos dos custos das obras em rodovias e ferrovias, criticou o descontrole nos aditivos realizados em contratos firmados com empreiteiras e mandou suspender o início de novos projetos.
Dilma disse que o Ministério dos Transportes está sem controle, que as obras estão com os preços “inflados” e anunciou uma intervenção na pasta comandada pelo PR — que cobra 4% de propina das empresas prestadoras de serviços."
"De acordo com a reportagem, que chama o caso de "mensalão do PR", Valdemar escolhe as empresas que vão realizar projetos e obras de transporte do governo. A revista afirma que o servidor Bonvini é o emissário do ministro, e Valdemar leva os pagamentos das comissões ao PR. O chefe de gabinete do ministro, seria o responsável por liberar as verbas. Os diretores do Dnit e da Valec também são citados como membros do esquema."
"Com planilhas e documentos sobre a mesa, Dilma elevou o tom no encontro com representantes da pasta: “O Ministério dos Transportes está descontrolado”. A presidente chamou de “abusiva”, por exemplo, a elevação do orçamento de obras em ferrovias, que passou de 11,9 bilhões de reais, em março de 2010, para 16,4 bilhões neste mês — salto de 38% em pouco mais de um ano. Dilma também se irritou em especial com a Valec, estatal que cuida da malha ferroviária, e com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), responsável pelas rodovias."
Vocês ficam insuflando o valor das obras. Não há orçamento fiscal que resista aos aumentos propostos pelo Ministério dos Transportes. Eu teria de dobrar a carga tributária do país para dar conta”, disse Dilma, quando a reunião caminhava para o fim. Ela deu o diagnóstico: “Vocês precisam de babá. E terão três a partir de agora: a Míriam, a Gleisi e eu”.