quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Campanha eleitoral de Ary Rigo recebeu doações de Puccinelli e até de Artuzi, preso por corrupção

As prestações de contas entregues até anteontem ao TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul) pelos candidatos eleitos e não eleitos exibem curiosas e suspeitas situações.

Uma delas aparece no relatório do deputado estadual Ary Rigo, do PSDB, pivô do escândalo que revelou um suposto esquema de corrupção implicando o governo do Estado, o Tribunal de Justiça e o Ministério Público Estadual.
Rigo declarou a corte eleitoral ter gastado na campanha R$ 1.095.836,00, a terceira mais cara entre os concorrentes a um mandato estadual. Ainda assim, não foi reeleito.
Doador na cadeia
E, entre os doadores, surge na lista o nome de Ari Valdecir Artuzi, prefeito afastado de Dourados, preso no dia 1º de setembro passado, por suposta ligação com uma quadrilha que fraudava licitações públicas no município.
De acordo com a prestação de contas de Rigo, Artuzi teria feito uma doação “estimada” de R$ 2 mil a ele. Detalhe: o registro dessa doação, segundo declarado ao TRE, foi feito no dia 10 de setembro, nove dias após a Polícia Federal ter prendido Artuzi.
Ainda conforme as prestações de Rigo, primeiro-secretário da Assembleia, o governador reeleito André Puccinelli, do PMDB, teria também feito ao tucano três doações que somaram R$ 6.150,00.
Numa delas, no dia 28 de julho, por meio de um cheque no valor de R$ 5 mil. Já no dia 21 de julho, aparecem dois repasses, um no valor de R$ 150,00 e, outro de R$ 1 mil.
Escândalo
O escândalo que pôs em xeque a credibilidade dos poderes constituídos de Mato Grosso do Sul surgiu por meio do youtube, vídeo exibido na internet.
Sem saber que seu diálogo com um secretário do prefeito Artuzi era gravado por equipamentos da Polícia Federal, Ary Rigo afirmou que dinheiro da Assembleia Legislativa era repartido entre o governador André Puccinelli, desembargadores do TJ e o ex-chefe do MPE, Miguel Vieira. A suposta negociata seria fruto de troca de favores.
Após o vídeo ter alimentado notícias divulgadas em todo o país, o deputado tucano caiu numa espécie de ostracismo político ao ser abandonado pelos aliados. Ele já havia sido eleito seis vezes deputado estadual.
Eu nego
Rigo negou depois o dito na gravação. Onze dos 30 desembargadores e o MPE interpelaram o parlamentar judicialmente. O governador Puccinelli também prometeu acioná-lo judicialmente.
Os financiadores
Na lista dos financiadores da campanha de Rigo aparecem duas empresas que prestam serviço a Assembleia Legislativa: a Digitho Brasil Soluções em Software Ltda, que doou R$ 50 mil e a H2L Equipamentos e Sistemas Ltda, que contribuiu também com R$ 50 mil.
Ary Rigo, segundo declarado no TRE, tirou R$ 120 mil do bolso por sua campanha. Já a mulher dele, Márcia Rigo, R$ 115 mil.



O deputado arrecadou ainda dinheiro que foi destinado à campanha eleitoral do deputado federal eleito Edson Giroto, do PR (R$ 9 mil); do também deputado federal eleito Reinaldo Azambuja, do PSDB (R$ 150 mil) e do senador eleito Valdenir Moka, do PMDB (R$ 152 mil).
Duas empreiteiras figuram como financiadoras da campanha de Ary Rigo: a Nautilus Engenharia (R$ 70 mil) e a Constran S/A – Construções e Comércio (R$ 80 mil).

Siufi, possível candidato à prefeitura, diz que não aceita imposição dentro do PMDB

A corrida eleitoral pela prefeitura de Campo Grande em 2012 já acirra os ânimos entre possíveis candidatos à sucessão de Nelson Trad Filho. O presidente da Câmara de Campo Grande, Paulo Siufi (PMDB), visto pela classe política como eventual pré-candidato, defende que o partido submeta a escolha do futuro candidato a uma consulta popular.

Em visita à sede do Midiamax nesta quarta-feira (3), Siufi adiantou que não vai admitir imposições na definição do candidato peemedebista. “Se for por imposição pessoal de qualquer um dos que hoje mantêm o controle do PMDB, aí não vou aceitar, e o PMDB pode me retirar. Sou uma pessoa democrática, mas não amorfo [sem opinião própria] nem insensível”, disse.
A opinião de Siufi reflete em parte o que ocorreu no PMDB estadual durante o primeiro turno eleitoral. O tratamento preferencial de lideranças peemedebistas a candidaturas de outras siglas - como o apoio ostensivo de André Puccinelli a Edson Giroto, do PR – teria deixado muita gente insatisfeita.
“Quando você auxilia candidatos de outros partidos, como aconteceu nas últimas eleições, isso deixa os candidatos do partido um pouco insatisfeitos. O PMDB tem que ser maior do que essas situações pessoais”, defendeu o vereador.
Para ele, o modelo de prévias aplicado pelo PMDB na disputa entre Waldemir Moka e Valter Pereira por uma vaga ao Senado fracassou. “De 11 mil filiados, 4 mil foram votar e isso não teve uma repercussão positiva”, explica o vereador. Pior do que isso foi a reação contra Valter Pereira, “um peemedebista histórico” – nas palavras de Siufi – que foi alijado do partido por apoiar Dilma Rousseff na corrida presidencial.
O vereador também foi um “dilmista” e sabe que a vitória da aliança PT-PMDB em nível nacional fortalece seu grupo que integra a cúpula regional da sigla. “Nosso município foi muito bem atendido pelo governo federal”, argumenta.
Siufi reconhece que seu partido deve passar por uma renovação interna sob o risco de ser derrotado nas próximas eleições municipais. Em 2012, Campo Grande terá atravessado 16 anos de administração do PMDB – duas gestões de André Puccinelli e duas de Nelson Trad Filho. A discussão em torno dos vários nomes do partido para suceder o atual prefeito deve ser “alinhavada” pelas lideranças, na opinião do vereador.

Giroto, ex-secretário de Obras, tem campanha bancada por empreiteiros e dinheiro de André

O deputado federal eleito Edson Giroto, do PR, declarou ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) que sua campanha eleitoral consumiu R$ 3.029.400,00, R$ 1.637.000,00 dos quais saíram dos bolsos de empreiteiros que tocam obras aqui em Mato Grosso do Sul.

Antes de estrear na política como o deputado federal mais bem votado nessa eleição, com 147 mil votos, Giroto ocupava a secretaria estadual de Obras.
O eleito contou também com uma generosa quantia doada pelo governador eleito André Puccinelli, do PMDB, que injetou R$ 1.034.150,00, dinheiro emitido em cheques, na campanha de Giroto, segundo dados disponibilizados na internet desde a tarde desta terça-feira pelo TSE.
Do bolso de Girotto, saíram apenas R$ 6 mil, segundo sua prestação de contas entregues ontem ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral).
De acordo com a prestação de contas de Giroto, ele recebeu doações dessas empresas:
1 – Cbemi Construtora Brasileira e Mineradora Ltda (R$ 300 mil);
2 – Consegv Planejamento e Obras Ltda (R$ 163 mil);
3 – Conspar Engenharia Ltda (R$ 25 mil);
4 – Construtora Alvorada Ltda (R$ 120 mil);
5 – Construtora Brasil Central Ltda (R$ 100 mil);
6 – Engepar Engenharia e Participações Ltda (R$ 50 mil);
7 – Equipe Engenharia Ltda (R$ 200 mil);
8 – Geoserv Serviços de Geotecnia e Construtora Ltda (R$ 400 mil)
9 – Proteco Construções Ltda (R$ 50 mil)
10 – Serveng Civilsan S.A. Empresas Associadas de Engenharia (R$ 100 mi) e
11 – Sipav Serviço e Recuperação, Pavimentação Ltda (R$ 30 mil)

domingo, 31 de outubro de 2010

PRESIDENTE DILMA

Eleições 2010: Dilma Rousseff é recebida por militância cantando o Hino Nacional



A candidata eleita a presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), chegou há pouco no Hotel em Brasília onde correligionários e partidários estão reunidos. Ela foi recebida pela militância cantando o Hino Nacional.

Ela que foi anunciada oficialmente a nova presidente do Brasil, está afônica e foi bastante assediada por jornalistas de todas as partes do Brasil e do mundo.
“Estou muito feliz, muito feliz”, disse ela aos jornalistas que quase entraram no carro onde a presidente estava.
O vice presidente eleito Michel Temer, também se juntou a Dilma para participar do primeiro pronunciamento oficial da presidente.
Nesse momento, o jingle de campanha da petista está sendo tocado no local e Dilma cumprimenta os governadores aliados eleitos e vários correligionários.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, menifestou neste domingo suas "muito cálidas felicitações" a Dilma Rousseff por sua vitória nas eleições presidenciais do Brasil, em um comunicado emitido pelo Eliseu logo após a divulgação dos resultados oficiais.




Para Sarkozy, a eleição de Dilma reflete o "reconhecimento do povo brasileiro pelo considerável trabalho feito pelo presidente Lula para fazer do Brasil um país moderno e mais justo".


Eleições 2010: Sarkozy felicita Dilma Rousseff por vitória nas eleições



O presidente francês afirmou ainda que "França e Brasil compartilham os mesmos valores e uma visão comum do mundo". Além disso, os dois países "estão convencidos de que é urgente combater as mudanças climáticas" e "acreditam em um multilateralismo renovado para organizar o mundo multipolar, levando em consideração as realidades do século XXI".
Sarkozy conclui dizendo que Dilma "poderá continuar contando com a amizade e o apoio indefectível da França".
"Esta visão comum e suas convergências sobre os desafios de nosso tempo designam França e Brasil para que sejam aliados privilegiados. O presidente da República pretende seguir aprofundando amanhã com a futura presidente do Brasil esta cooperaçã oem todas as áreas, à qual o presidente Lula e ele mesmo já deram um caráter autenticamente estratégico".
Dilma Rousseff, 62 anos, foi eleita presidente do Brasil no segundo turno das eleições, realizado neste domingo, e sucederá o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a partir do ano que vem.
Eleições 2010: Dilma Rousseff faz o primeiro discurso oficial como presidente



José Eduardo Dutra, presidente do PT convida todos a ouvirem o pronunciamento de Dilma: “Vamos ouvir o pronunciamento da primeira mulher, presidenta do Brasil, com a palavra Dilma Rousseff”, disse ele sob aplausos.

Amparada por aliados e partidários, Dilma fez seu primeiro discurso como presidente eleita.
Ela pontuou pontos importantes de seu compromissos de campanha, inclusive chamando a oposição para participar do governo.
“Quero agradecer aos que estão aqui presentes aqui, que é uma noite completamente especial. Mas quero me dirigir aos brasileiros e brasileiras, amigos e amigas de todo Brasil. Recebi a missão talvez a mais importante da minha vida e esse fato é uma demonstração do avanço democrático do País. Já registro meu primeiro compromisso, honrar as mulheres brasileiras, para que esse fato se transforme em um evento natural em empresas, instituições. Igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, um principio essencial da democracia. Que os pais e mães olhassem nos olhos das filhas e dissessem, sim, a mulher pode”, declarou.
“Essa foi uma decisão democrática do eleitor, registro aqui meu segundo compromisso lutar desde o direito de expressão e opinião até o direito de alimentação, saúde e direitos básicos”, afirmou durante o discurso.

Sobre a tão debatida liberdade de imprensa, Dilma garantiu que irá lutar por uma imprensa livre. Em discurso, a petista garantiu velar pela liberdade de imprensa e religiosa.

“Vou velar pela mais ampla e irrestrita liberdade de imprensa e religiosa. Vou velar pela manutenção dos Direitos Humanos (…) pela Nossa Constituição, dever maior da presidência da república”, disse.
“Prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio da ditadura”, disse ela sendo aplaudida.

Eleições 2010: Dilma chama povo brasileiro, imprensa e autoridades para auxiliá-la na erradicação da miséria



Em seu primeiro discurso oficial, a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) chamou todos a participarem na luta pela erradicação da miséria no Brasil. Para Dilma, o povo brasileiro, empreendedor e cheio de esperança é o grande exemplo para que ela tenha aceitado o desafio de ser presidente.

“O que mais me deu confiança e esperança, foi a capacidade do nosso povo de agarrar a oportunidade, por menos que seja, de construir um mundo melhor. Reforço meu compromisso de erradicação da miséria e criação de oportunidades para todos os brasileiros e brasileiras”.
“Essa ambiciosa meta não será realizada apelas para vontade do governo, mas é um chamado aos empresários, trabalhadores, imprensa (…) todas as pessoas de bem. Não podemos descansar enquanto houver brasileiros com fome, famílias na rua, crianças pobres passando fome. Assumo como meta, mas peço ajuda humildemente para acabarmos com o abismo que nos separa de ser uma nação totalmente desenvolvida.
Para ela, o governo do Presidente lula, tornou hoje possível, um sonho que sempre pareceu impossível.
“Reconhecemos que teremos um duro trabalho, essa nova era de prosperidade, encontra seu momento de maior potencial, numa época em que as economias das grandes nações se encontram abaladas. Não contaremos com a pujança das economias desenvolvidas, por isso se torna mais importante nossas próprias políticas e decisões econômicas” disse.

Eleições 2010: Em discurso, presidente diz que cuidará da economia do país com responsabilidade


“Estou longe de dizer que pretendemos fechar o pais ao mundo […] Mas é preciso reconhecer que teremos grandes responsabilidades num mundo que enfrenta ainda grandes crises econômicas. É preciso estabelecer regras muito mais claras. Cuidaremos de nossa economia com toda responsabilidade.

Falando sobre a econômica em seu discurso oficial, ela lembrou que o povo brasileiro quer um governo sustentável. “Vamos buscar desenvolvimento de longo prazo a taxas elevadas social e ambientalmente sustentáveis. Valorizarei os micro-empreendedores e o super simples (imposto)”, afirmou ela.
Dilma também lembrou o fundo do pré-sal e afirmou que este será uma espécie de poupança interna do país. “Vamos ter o fundo social do pré-sal como mecanismo de poupança social a longo prazo. Reserva a nação a parcela mais importante das riquezas, não alienaremos nossas riquezas para dar o povo só as migalhas”, atestou a petista.


Em seu discurso, lembrando da política social, Dilma reafirmou o compromisso com a educação, saúde, segurança pública e políticas voltadas ao combate as drogas.


Eleições 2010: Dilma relembra compromissos com a saúde, educação e segurança

“Me comprometi com a qualificação dos serviços de saúde, educação e segurança pública. Reafirmo meu compromisso. A visão moderna de desenvolvimento econômico valoriza o trabalhador e sua família, e a comunidade e o meio ambiente. Quero registrar que todos os compromissos que assumi que todos os mais necessitados terão toda a minha atenção”.
Bastante aplaudida, ela convidou a oposição a trabalhar com ela durante as eleições.

Eleições 2010: Conheça Gabrovo, cidade natal do pai de Dilma Rousseff

Bem-vindo e boa viagem", diz uma placa na entrada de Gabrovo, uma cidade búlgara nos Bálcãs apontada pelos próprios moradores como a "capital mundial do humor". O local se tornou neste domingo (31) novamente motivo de orgulho para os búlgaros. É lá que nasceu Petar Rousev, pai da presidente eleita do Brasil, Dilma.

Petar Rusev nasceu em 1900 na cidade de Gabrovo, mas deixou o país tanto por razões políticas (ele era um comunista) e econômicas, à procura de um emprego melhor e um futuro melhor. Um século mais tarde a pequena cidade no centro da Bulgária é apanhado na excitação da corrida à presidência no distante Brasil, onde a socialista Dilma Rousseff se elegeu.
Novinite.com
Fiel à sua natureza criativa e engraçada, os cidadãos de Gabrovo já estão planejando como lucrar com a ligação entre Dilma e a cidade, dizendo que os investidores brasileiros podem aprender muito com eles sobre gestão de crises. O prefeito Nikolay Sirakov chegou a sugerir a cooperação entre o carnaval de humor da primavera de Gabrovo e o carnaval carioca.
No século XIX, Gabrovo era uma cidade industrial pujante. Mas agora, as indústrias locais fecharam, a população encolheu e o marco mais distintivo da cidade cultural - a Casa de humor e sátira - se transformou em muitos aspectos, em um remanescente negligenciado do ex-império soviético.

Eleições 2010: Primeira presidente e segunda mulher a administrar o Brasil, Dilma reflete tendência

A eleição de Dilma Rousseff segue tendência política latinoamericana e representa o maior passo na direção da igualdade de gênero no país desde 1932, quando as brasileiras ganharam o direito de votar. A petista se tornou a primeira presidente da República e segunda mulher a governar o Brasil.

A primeira foi a Princesa Isabel, que assumiu a regência no século XIX várias vezes enquanto o Imperador viajava.
Na história recente, o movimento de chegada das mulheres ao poder na América Latina ganhou impulso em 2006, com a eleição de Michelle Bachelet como presidente do Chile. Na Argentina, com apoio do marido Néstor, Cristina Kirchner se tornou a primeira mulher presidente eleita no país em 2007, apesar de não ter sido a primeira mulher a chefiar o estado argentino.
Mais que um efeito de fórmulas marqueteiras baseadas nos anseios dos eleitores, a ascensão feminina no ambiente da administração pública é resultado de longo processo histórico.
Segundo José Eustáquio Diniz Alves, professor do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências, desde a Revolução Francesa, que instalou o voto universal, mas excluiu as mulheres dessa “universalidade”, a luta pela igualdade de gênero tem sido constante.
O professor cita um autor contemporâneo à Revolução para mostrar que desde então já havia gente defendendo os direitos políticos femininos. “Não faltaram vozes defendendo os direitos iguais há mais de 200 anos. O Marquês de Condorcet foi um ardoroso defensor do voto feminino naqueles tempos revolucionários. Em 1790 ele escreveu o seguinte: Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos”, conta.
No Brasil, após o direito ao voto em 32, foi com a Lei 9504, de 1997, que mais um passo importante foi dado. Regulando as eleições, a lei definiu uma cota mínima de 30% para as candidaturas de ambos os sexos. Desde então, os partidos passaram a dar mais espaço para as candidatas, embora muitas vezes tenham enfrentado dificuldade até para preencher as chapas com o mínimo de mulheres necessário.
Na Europa a situação não é muito diferente. Mas existem países europeus com tradição de mulheres no poder. Na Irlanda, por exemplo, a presidência tem sido exercida por mulheres desde 1990. Deve-se, porém levar em conta que o país é parlamentarista e nunca teve uma primeira-ministra.
Os norte-americanos, nas últimas eleições, resolveram eleger o primeiro negro ao invés da primeira mulher presidente já nas prévias do partido Democrata, que escolheu Barack Obama e tirou Hillary Clinton da corrida presidencial.
Na África, com participação feminina mais acentuada, o motivo apontado pelos analistas são as constantes guerras étnicas que acabam matando mais homens do que mulheres.
Brasil feminino
E não é apenas na política que as mulheres ganham destaque no Brasil. Há alguns anos as brasileiras já têm nível de escolaridade superior ao dos homens e ocupam mais vagas no ensino superior.
No mundo corporativo, no entanto, a situação não acompanhou as mudanças. Segundo dados do Instituto Ethos, nas 500 maiores empresas nacionais apenas 13% dos cargos de direção estão nas mãos de mulheres.
Da Princesa Isabel, que governou as terras brasileiras por um período total de aproximadamente três anos, sempre interinamente e à sombra do Imperador, até Dilma Rousseff, que assume o controle da nação nos próximos quatro anos legitimada pela escolha de 55,59% dos votos válidos em eleição direta e universal, o Brasil dá um enorme salto histórico rumo à igualdade de gênero.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Caso Ary Rigo

População vai às ruas da Capital contra corrupção e pede que políticos suspeitos deixem cargosAs ruas do centro de Campo Grande foram tomadas nesta manhã por uma passeata que exigiu apuração das declarações deputado estadual e primeiro-secretário da Assembleia Legislativa, Ary Rigo (PSDB). Em vídeo, gravado sem que ele soubesse, o parlamentar detalha suposto esquema de partilha de dinheiro público entre os membros dos três poderes e envolve diretamente o governador André Puccinelli (PMDB) a quem teria repassado R$ 2 milhões. Cerca de 800 pessoas acompanharam a manifesto que pediu que autoridades colocadas em suspeição deixem os cargos.


Além de sindicalistas e representantes de movimentos sociais, acadêmicos da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e UCDB (Universidade Católica Dom Bosco) também se incorporaram à caminhada. Contudo, desde a concentração, na Praça Ary Coelho, os estudantes universitários destacaram que o envolvimento deles era apartidário. “Não somos contra A ou B. Somos contra a corrupção. Talvez eu acabe votando nulo. Está explícito que está tudo errado”, disse o acadêmico de mecatrônica da UCDB, Gabriel Torrecilha, 19 anos.



Os manifestantes percorreram as ruas 14 de julho, Cândido Mariano e 13 de Maio retornando para a praça. No percurso, representantes de entidades sindicais chamaram a atenção da população da Capital para as denúncias usando um carro de som. “Queremos que as denúncias sejam investigadas. O deputado Ary Rigo envolveu o Ministério Público, o Poder Executivo e Legislativo. Isso é muito grave”, disse a educadora Joana da Silva, ligada à Fetems (Federação dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul).



Outra educadora, Ildonei de Lima, secretária-adjunta da Fetems, destacou que a sociedade organizada está com vergonha do escândalo e quer explicações. “Por isso, nós viemos colocar a nossa cara na rua. Nós somos contra deputado que rouba”, bradou. Já Cássio do Nascimento, vice-presidente do Sintss (Sindicato dos Trabalhadores em Saúde e Seguridade Social) cobrou participação da sociedade no movimento contra a corrupção. “Cadê quem deveria investigar? Está no bolso do Puccinelli? Temos que tirar estes abutres do poder”, disse.



O presidente do CDDH (Centro de Defesa dos Direitos Humanos) Marçal de Souza, Paulo Ângelo, disse que “Rigo entregou toda a quadrilha”. Mencionou a necessidade de “varrer a Assembleia” e também defendeu o afastamento de autoridades suspeitas dos cargos. Amanhã, os movimentos sociais voltam à Assembleia para cobrar a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito). A sessão começa por volta das 9 horas.



Acadêmicos



Entre os acadêmicos que participaram da caminhada hoje, o sentimento é de revolta. A estudante do curso de Ciências Sociais da UFMS, Tânia Milene Nugoli, 30 anos, avalia que os acadêmicos começaram a se mobilizar na sexta-feira passada. “Não podíamos ficar alheios a tudo o que está acontecendo. Tínhamos que mostrar a nossa indignação com o que está acontecendo”, diz.



Os estudantes confirmaram a existência da inclinação pelo voto nulo. “A tendência é votar nulo. Porque neste caso, parece que não há solução. Parece que estão todos envolvidos”, lamenta o estudante de jornalismo da UFMS, Rafael de Abreu. Ele e os demais acadêmicos querem investigação e esclarecimentos dos fatos apresentados por Rigo.



População



Quem assistia a manifestação recebeu panfletos distribuídos pelos sindicalistas e representantes de movimentos sociais. “É importante a mobilização. Se eu não estivesse cheio de trabalho, com certeza estaria ali também”, diz o comerciante Edson Rodrigues, 57 anos.



O advogado Fernando Marin, 82 anos, tem outra opinião. “É difícil acabar com a roubalheira no regime democrático. Na época da ditadura tinha corrupção, mas não como agora. Traficante não tinha vez e os hospitais, por exemplo, funcionavam melhor. A ditadura descrita na mídia e nos livres não é a verdadeira”, disse.



Já o operador de caixa, Alfredo Mendonça, 47 anos, deu total apoio aos manifestantes. “Tem mais é que mobilizar mesmo. Todos têm que saber que queremos tirar estes corruptos de lá”, menciona o trabalhador.



Segurança



O tenente Muzili que comandou os policiais militares que deram segurança à caminhada, disse que o evento transcorreu com tranqüilidade, sem qualquer incidente e nem transtornos ao trânsito da Capital.



O escândalo



No trechos mais polêmicos da conversa gravada entre Rigo e o ex-secretário de Governo de Dourados, Eleandro Passaia, o parlamentar diz o seguinte: “Você sabe o seguinte, na Assembleia cada deputado não ganhava menos de R$ 120 mil, agora os deputados vão ter que se contentar com R$ 42 ( mil). Não tem como fazer. Para você ter idéia nós devolviámos R$ 2 milhões em dinheiro para o André (Andre Puccinelli – governador e candidato a reeleição pelo PMDB). R$ 900 (mil) para o desembargador do Tribunal de Justiça e R$ 300 (mil) para o Ministério Público. Cortou tudo! Nós vamos devolver R$ 6 milhões para o governo. Por isso que eu ando sumido. Então nós estamos criando um acordo, eles vão devolver 400 mil, não é mais 30%, comigo é 10%”,”, diz na gravação.

Durante entrevista coletiva, na semana passada, Rigo negou partilha de dinheiro irregular. Ele afirma que estava se referindo às diferenças cortadas do duodécimo, valor constitucional repassado aos poderes. Porém, não esclareceu o que quis dizer, por exemplo, com "cortou tudo", na verdade, uma referência à Lei da Transparência que estaria dificultando a devolução das verbas.


Políticos tentam esconder Rigo, mas há poucos dias, eram só elogios. Assistam os vídeos!



O deputado Ary Rigo (PSDB) integra a chamada "santíssima trindade" da Assembleia Legislativa. Está há muito tempo na casa, sempre se articula com quem está no poder e alterna no poderio da Mesa Diretora. Agora, flagrado em vídeo contando como funcionaria um esquema de corrupção no Parque dos Poderes, o primeiro-secretário do parlamento sul-mato-grossense se tornou íncômodo na campanha dos aliados.




Rigo tenta a reeleição pela coligação "Amor, Trabalho e Fé", do governador Puccinelli (PMDB). Antes considerado um "puxador de votos", o deputado recebia até a véspera do escândalo afagos de todos na coligação peemedebista.



Abandonado bem no meio do "rolo" que ajudou a causar, já recebeu mais de 15 interpelações e foi atacado duramente até pelo chefe André, que tenta escapar jogando a culpa de toda lambança em Ary.



André, Moka e Giroto: "vote no Rigo"



No Youtube, rede social de compartilhamento de vídeos, são muitas as gravações de políticos que, até então nas graças de uma das campanhas mais caras para deputado estadual, se rasgavam em elogios para Rigo. Confira alguns que ainda estão disponíveis:



André Puccinelli, governador e candidato à reeleição

http://www.youtube.com/watch?v=Z8k2rfspEF8

Waldemir Moka, candidato ao senado

http://www.youtube.com/watch?v=Er74AEQEGAk

Edson Gitoro, candidato a deputado federal

http://www.youtube.com/watch?v=yxTSz9S8l-g

Ari Artuzi, prefeito de Dourados preso por corrupção

http://www.youtube.com/watch?v=jjqpjEoUbj8

André Puccinelli, colocado no centro do escândalo de propinas no Parque dos Poderes após o deputado Ary Rigo dizer em vídeo que "devolvia" R$ 2 milhões por mês para o governador em dinheiro, tentou se esquivar jogando a culpa no primeiro-secretário da Assembleia Legislativa.



Após ter dito que a devolução citada pelo deputado seria de sobras nos recursos repassados pelo governo para a Assembleia, em entrevista coletiva Puccinelli piorou a própria situação trocando de versão. Ele percebeu que não houve repasses como chegou a dizer para a Rede Globo de televisão.



Na mesma coletiva, disse que ia representar judicialmente contra Ary Rigo, que "teria de se explicar sobre as declarações". Mas todo o desprezo não combina com o grau de envolvimento dos dois mostrado em vídeos da própria campanha eleitoral da coligação "Amor, Trabalho e Fé".



O governador André Puccinelli é efusivo em vídeo da capanha disponível no Youtube para pedir voto para o deputado Ary Rigo. O candidato à reeleição destaca a "competência e lealdade" de Rigo e sua importância para a Assembleia e para o Mato Grosso do Sul.



Presente à solenidade gravada, o prefeito afastado de Dourados, Ari Artuzi, aparece no vídeo logo atrás de Puccinelli e Rigo.