quarta-feira, 22 de junho de 2011

Fascinado pela política, Wilson Barbosa Martins fala rindo de como viver 94 anos


Corinthiano e comercialino, o ex-governador Wilson Barbosa Martins comemora hoje 94 anos. “Comemoração mixuruca, não vai ter nada”, responde o aniversariante aos risos. No dia do aniversário, o almoço deve ser com o genro Abdalla Jallad e os netos. Um bolinho espera pelas pessoas que forem cumprimentá-lo “aos que vierem, vão comer um docinho”, diz.
Às vésperas do aniversário, Wilson Barbosa Martins recebeu o Campo Grande News no escritório e contou um pouco da rotina de quem já deixou a vida pública, mas continua presente no cenário político. Falou sobre como é ver colegas partindo, a morte da filha e uma possível namorada.
O ex-governador acorda cedo, por volta das 06h30 da manhã, toma o café e vai para o escritório, que funciona no mesmo terreno da casa. “Leio jornais do dia, escrevo, atendo o que tem para atender”, fala.
Na escrivaninha de Wilson Barbosa, estão pelo menos seis livros entre história e biografia e ele mostra o que está lendo agora, “Aves do Brasil: Pantanal & Cerrado”.
Pontualmente, ao meio-dia, ele deixa os afazeres para sentar à mesa, no cardápio: feijão, arroz, carne e mandioca. “É a comida de todo brasileiro, e assim vai”, conta.
A rotina é calma, depois de um descanso, o ex-governador volta ao escritório e encerra o expediente às 17h30. “Levo uma vida tranquila como é possível de ser”, comenta.
Aos 94 anos, Wilson Barbosa já viu muitos colegas e familiares partirem. Ele resume como sofrimento, principalmente a dor de perder a filha Celina Jallad. “Já vi meus pais, irmãos todos, amigos, ano passado José Fragelli. Eu cumpro o dever de estar sempre prestando homenagem” fala.
Sobre a morte de Celina, “sofri muito. Ela queria muito bem a mim e eu à ela, me fez e me faz muita falta”, diz.
Ele completa falando que ainda bem que tem a família, pessoas amigas, mas que isso é a vida. “Da minha geração quem é que resta? Eu estou com 94 anos?” comenta em tom de brincadeira.
Em relação a uma possível namorada, Wilson Barbosa Martins descarta aos risos “acho que namorar, casar, isso é para jovem, que pode fazer planos de vida, não mais para um homem como eu”, comenta.
Uma vida pública e pessoal tão longa, a pergunta não cala, qual seria o segredo da longevidade? “Eu também pergunto a você, porque eu não sei”, afirma Wilson Barbosa.
Como lazer, estão as atividades na fazenda, a lida com o gado, as negociações e viagens para São Paulo e Rio de Janeiro. O futebol também não fica de lado, o ex-governador afirma que assiste e gosta das partidas pelo campeonato brasileiro e não nega, Corinthians no coração e o Comercial também. “Aqui, sou comercialino”, exibe a faixa de campeão estadual 2010 do colorado.
Como não podia deixar de mencionar, a política continua presente na vida do ex-governante. Sobre o tema, nada pode surpreendê-lo, afirma. “Sou homem vivido. A política é cheia de sobressaltos, não tem porque me surpreender por nada. Ainda hoje, vi o prefeito demitir todo o secretariado” comenta.
Wilson Barbosa Martins que foi prefeito de Campo Grande, deputado federal, senador constituinte e primeiro governador eleito pelo voto direto no estado, deixou a vida política em 1998.
“A política é cheia de fascínio, eu também era assim. Quando fui político, encontrei muita alegria nas articulações do meu partido, PMDB. Quando deixei o governo, eu já tinha sido prefeito, deputado federal duas vezes, governador, senador, outra vez governador. Eu entendi que a minha missão estava cumprida e era hora de deixar a vida política para o jovem e cuidar da minha vida particular”, resume.
Até hoje o ex-governador é procurado por amigos para conselhos, mas garante que não tem resposta para tudo “tenho amigos que me procuram, mas não sou conselheiro, não sou pessoa que tenha a solução”, enfatiza.
Comemorando 94 anos, Wilson Barbosa Martins diz que todos os anseios são de natureza pessoal, não pública, mas ainda deseja o bem-estar da nação.
“Anseio pelo crescimento econômico para o Estado, país e prosperidade. Mas eu compreendeo que não há nada no âmbito pessoal que eu possa realizar”, conclui.
Questionado se definiria como homem realizado “Não sei bem o que é um homem realizado, acho que todos da minha idade esperam mais um dia de vida, saúde, fazer passeios”, finaliza.

Governo de André Puccinelli gastou R$ 18,9 milhões com propaganda somente em 2011

O governo de André Puccinelli (PMDB) gastou de janeiro até agora R$ 18.913.682,07, uma média mensal de R$ 3.152.280,34, com publicidade. A cifra indica que o governo aplica R$ 105 mil por dia para exibir seus feitos.

O recurso gasto com a publicidade supera, por exemplo, a soma investida em alguns setores do governo, como estes: Fundo de Investimento Esportivo, que recebe em torno de R$ 726 mil mensais e o Fundo de Investimento Cultural, que arrecada perto de R$ 1,9 milhão por mês.
Note a importância que o governo dá ao setor que zela por sua propaganda: a quantia que gasta para mostrar o que faz é mesma aplicada no Fundo Especial de Reequipamento da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado.
Nestes 14 primeiros dias de junho o governo já gastou R$ 1.465.017,58, dinheiro destinado às agências. A cota maior, segundo publicado no Portal da Transparência de MS, foi para a B & W Três Propaganda Ltda que, por meio de concorrência, recebeu algo em torno de R$ 440 mil pela prestação do serviço.
O Portal não especifica que tipo de publicidade foi desenvolvido, apenas o valor pago e se a empreitada exigiu ou não licitação.
O mês de março foi o melhor do ano neste semestre às agências de publicidade que prestam serviço ao governo de Puccinelli.
Nos 31 dias do mês foram gastos R$ 4.994.754,25 em propaganda, uma média de R$ 161 mil por dia. Em março, a Remat Marketing & Propaganda Ltda reinou nos ganhos, algo em torno de R$ 1.1 milhão. A Slogan Publicidade Ltda vem em seguida com uma arrecadação de R$ 700 mil.
Já em maio as agências faturaram R$ 4.607.003,19, perto de R$ 148 mil por dia. A MV Comunicação e Planejamento Ltda recebeu R$ 749.725,36 pela prestação de serviço, conquistado por meio de concorrência pública.
De acordo com os números exibidos no Portal da Transparência do governo de Puccinelli, em janeiro passado, não houve gasto com agências de publicidade. Naquele mês, contudo, conforme a publicação, o governo consumiu mais dinheiro com o setor da informatização.
A empresa Digito Brasil Engenharias de Softwares Ltda, por exemplo, por meio de pregão, recebeu R$ 1,4 milhão pela prestação de serviço.
Ainda em janeiro deste ano, a Itel Informática Ltda., do empresário João Baird, um dos mais alimentadores da campanha eleitoral de Puccinelli, no ano passado, recebeu do governo algo em torno de R$ 1,2 milhão que recebera por prestar serviço, empreitada conquistada por meio de pregão.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Perda de gado aumenta no Nabileque e criadores reclamam do governo de MS

A retirada da primeira boiada da região conhecida como “ilha”, no Nabileque, depois que os próprios pecuaristas e peões arrumaram pontes por conta própria, mostra o resultado de um desastre anunciado, desde que as suas reivindicações por ajuda do governo do estado, através do Fundersul, não foram atendidas. O Fundersul é um imposto cobrado de produtores rurais quando transitam com o gado entre propriedades rurais. O imposto tem a finalidade legal de reconstruir estradas vicinais e pontes de madeira, e esse era o caso por aqui, pontes velhas e um aterro de quatro Kms destruído e inundado, ao lado do rio Nabileque.
Foi uma boiada média, de 600 cabeças, em uma região onde mais 30 mil animais terão que cruzar o mesmo lugar, às vezes em lotes de 1.500, 1.700 bois, vacas e bezerros. A cada passagem, o aterro e as pontes pioram.
Os peões das comitivas, depois de consertarem as pontes, agora estavam dentro de barcos para evitar afogamentos. Os que da comitiva conduziram a boiada com medo, depois que um deles caiu do burro, sob o gado, e foi salvo do afogamento porque se agarrou no rabo de uma vaca e saiu d’água, com o resgate de um companheiro.
Nada disso teria ocorrido se o aterro que liga pontes e fazendas de gado tivesse manutenção, antes das cheias do Pantanal. Como as velhas máquinas que Fundersul na região não apareceram, o gado foi retirado na marra, com raça e a coragem de quem está acostumado com a dura lida das comitivas. Mas as perdas foram inevitáveis. E faltam ainda milhares de cabeças de gado para sair do Nabilique.

Em Três Lagoas, pecuaristas reclamam de estradas intransitáveis apesar do Fundersul

Extensos areais, crateras profundas, pedras pontiagudas. Percorrer a MS-320, uma das principais vias para escoamento da produção de grãos e gado do nordeste de Mato Grosso do Sul, é aventurar-se no perigo. Em meio a carros e caminhões quebrados, pecuaristas e agricultores questionam o destino dos recursos arrecadados com o Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de MS (Fundersul) – calculado sobre o transporte de animais, da produção agrícola e de combustíveis e derivados de petróleo.
Para Cláudio Totó Garcia de Souza, pecuarista na região do Alto Sucuriú, morador de Três Lagoas, ira até a fazenda virou viagem longa, cansativa e com custo alto. “A estrada nunca esteve tão ruim. Perdi a conta de quantos carros quebrei tentando chegar à propriedade. Antes, eu percorria os 140 quilômetros até a sede. Agora uma das opções com, no mínimo, 100 quilômetros a mais, para não ficar na estrada, é ir de Três Lagoas até Água Clara e voltar pela MS-377, até a entrada do Alto Sucuriú, que vai até o município de Paraíso”, desabafa o produtor rural.
Para Cláudio Totó, os impostos que paga pelo Fundersul não estão sendo aplicados para melhorar as rodovias que ele utiliza. “Nós que pertencemos a esta região e lutamos para aprimorar a produção, nos sentimos esquecidos pelo Governo do Estado, tal como a principal rota para escoamento de nossa produção. E mesmo assim continuamos pagando todos os impostos que nos cobram”, questiona.
Necessidade
O presidente do Sindicato Rural de Três Lagoas, Domingos Martins de Souza, alega que, por diversas vezes, entrou em contato com a Agência Estadual de Gestão de Empreendimento (Agesul) e expôs a situação da MS-320. Porém não obteve resposta.
“Todos os dias têm pecuarista ou agricultor que nos procura para reclamar da situação da estrada. Não estamos nem pedindo asfalto ao Governo, mas sim que pelo menos a torne transitável, pelo que pagam pelo Fundersul”, exclama o presidente do sindicato.
Segundo Domingos, a ligação de Três Lagoas com o município de Paraíso, um dos maiores produtores de grãos do Estado, é de extrema necessidade. “Temos aqui a Cargil, grande processadora de grãos. A industrialização da safra não teria que percorrer longas distâncias, o que geraria economia em todas as fases da produção. Além de que, Três Lagoas é porta de saída para os portos de Paranaguá e Santos”, explica.
Atrasos e perdas
Buscar gado para levar ao frigorífico, em caminhão boiadeiro, na Fazenda Santo Antonio do Pontal, pertencente a Luis Antonio Guerra, a 100 quilômetros de Três Lagoas, demora, em média, quatro a cinco horas.
Para esse pecuarista, a comercialização do gado se torna cada vez mais onerosa e com pouca lucratividade diante da ineficiência do Poder Público Estadual.
“Temos que vacinar, zelar e alimentar o gado. Quando é o momento de vendermos para que tenhamos, pelo menos, um lucro compatível com o trabalho que isso dá, nos deparamos com a estrada intransitável para que o animal chegue inteiro até o frigorífico”, confere.
De acordo com Luís, a perda começa com o sacolejar das reses no caminhão.
“Agora é momento em que os pecuaristas vendem o gado para evitarem animais em demasia no pasto na época da seca, que começa em junho. Entretanto, como a estrada está nestas péssimas condições, as reses se machucam pelo caminho, em meio aos buracos e areais que o caminhão tem que atravessar. Todos os ferimentos na carne são descartados pelo frigorífico. Não tenho como mensurar o valor dos prejuízos”, aponta o pecuarista.
Última manutenção: agosto/2010
O pecuarista conta que no ano passado, em meio à seca, fizeram uma pequena manutenção na MS-320. “Porém não resolveu, pois logo vieram as chuvas e acabaram com toda a estrada”.



Ainda segundo Luis Guerra, os trabalhadores da Agesul informaram que tinham que utilizar a verba que havia vindo para isso. “Eles ainda disseram que o Governo não iria gastar mais nada até março, porém já estamos em maio e ninguém veio depois disso. É duro pagar o Fundersul e ter estrada assim”, completa.






Moradores de Porto Murtinho reclamam da falta de estradas

Produtores rurais e moradores das comunidades distantes de Porto Murtinho encaminharam ao Midiamax a denúncia de que o estado de conservação das estradas estaduais no município é tão precário que torna quase impossível trafegar por elas sem passar por horas e horas de solavancos e quebra de veículos.
Para conferir a denúncia, a reportagem acompanhou o verdadeiro drama enfrentado por todos os que trafegam nas vicinais da cidade, quer sejam estudantes, caminhoneiros ou produtores rurais.
Quem mais sofre, de fato, são as crianças. Ainda de madrugada, elas deixam suas casas na zona rural em torno de quatro horas da madrugada, para chegar na escola às sete da manhã. A reportagem acompanhou o ônibus escolar e foi possível ver de perto aquilo que os estudantes enfrentam no ano inteiro, num trecho de 46 quilômetros.
A estrada estadual é tão esburacada que o trajeto dura aproximadamente três horas na ida e mais três horas na volta. Assim, são quase seis horas diárias de chão mal batido, para cursar o ensino fundamental.
Nesse tempo, daria para se fazer uma viagem de Campo Grande a Porto Murtinho, com 454 quilômetros, e com alguma folga. Isso, quando não chove, porque aí é impossível transitar. Ou quando o ônibus não quebra no meio do caminho e da escuridão.
As crianças e adolescentes que fazem o percurso não têm uma vida normal porque precisa acordar de madrugada, dorme à tarde, depois das aulas, e voltam à dormir cedo. Mal estudam e mal aproveitam a infância e a juventude.
Governo do MS tem dois programas para estradas estaduais
O governo estadual tem pelo menos dois programas criados para recuperar as estradas do MS, o chamado Programa de Melhorias das Vias Estaduais (Provias) e Fundersul.
O Fundersul é um imposto cobrado de produtores rurais e pecuaristas, com o qual o governo estadual estima arrecadar cerca de R$ 176 milhões neste ano.
Os pecuaristas pagam pela movimentação de gado cerca de R$ 7,00 por cabeça de boi maduro e R$ 4,00 por bezerro. No município de Porto Murtinho existem cerca de 800 mil cabeças de gado, das quais cerca de 500 mil pagam o Fundersul quando são movimentadas, segundo o sindicato dos produtores rurais da cidade.

Produtor arruma estrada com recurso próprio e questiona Fundersul em rodovia de MS

Indignado com a situação de uma estrada próxima ao município de Rochedo, a 89 km de Campo Grande, um produtor rural da região tomou uma atitude drástica: reformou a via com dinheiro do próprio bolso.
Delvo Baseggio, dono da Fazenda Guanabara, também fez questão de mostrar publicamente sua revolta, colocando uma faixa a 8 km da entrada de sua propriedade, às margens da rodovia MS-080, contando que teve de fazer o que é responsabilidade do Governo Estadual: “Estrada recuperada com recursos da Fazenda Guanabara, onde está o imposto Fundersul”, diz o letreiro que chama a atenção de quem passa pelo local.
O produtor se referia ao Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul (Fundersul), criado há 12 anos, após aprovação pela Assembleia Legislativa, em 1999. O recurso captado por meio do Fundersul, pela ideia original, deve ser aplicado na manutenção de estradas e pontes.
Porém, mesmo tendo sido criado para um fim definido, o imposto vem gerando diversas críticas em todo estado, principalmente pelo fato de produtores pagarem cerca de R$ 4,00 por cabeça de gado, e mesmo assim não terem condições mínimas de transporte dos animais. O Midiamax já relatou o drama de pecuaristas pelo Estado. (Veja notícias relacionadas abaixo)
A estrada arrumada com dinheiro do fazendeiro serve para escoamento da produção de leite, gado e agrícola de inúmeras propriedades rurais da região.

O Fundo foi aprovado por meio da Lei n° 1963, de 11 de junho de 1999, pela Assembleia Legislativa. É um tributo cobrado dos produtores pelo transporte de produção agrícola, combustíveis e de animais, com o objetivo da manutenção das estradas. O Governo Estadual estima arrecadar cerca de R$ 176 milhões com o Fundersul somente neste ano.